terça-feira, 20 de agosto de 2013

OSWALDO CRISANTE XAVIER DOS SANTOS (22)



 PROFESSOR E ESCRITOR







UM GRANDE E SÁBIO ORADOR


Oswaldo Crisante Xavier dos Santos, possuidor de um espírito formoso e dotado de nobre caráter, é uma das maiores almas e um dos mais belos corações que tenho encontrado pela estrada da vida. Conheço-o de há muito, mas nossas ocupações do cotidiano são as barreiras dos desencontros diários. Como amigo, é daquele tipo que encontramos de século em século. De conduta ilibada, honesto e leal, Crisante torna-se referência para as amizades sinceras que tanto almejamos. Suas qualidades como escritor e compositor são sobejamente conhecidas. Para delinear algumas considerações sobre suas qualidades como orador, é preciso voltar os ponteiros do relógio do tempo neste ano, mais precisamente no dia 19 de fevereiro, ocasião em que Taubaté rendeu graças em homenagem ao Maestro Arranjador Ivanovich Paulo da Silva, conhecido nos meios artísticos como Maestro Ivan Paulo, tal como seu pai, o também famoso Maestro Ivan Paulo da Silva e natural de Taubaté, sendo de sua autoria o famoso Prefixo do Repórter Esso. 

Procurei por alguém que pudesse referenciar pelo homenageado, tendo recaído minhas atenções e lembranças ao amigo Crisante, profundo conhecedor de nossa música popular, sambista e compositor de primeira grandeza, tal como o Maestro Ivanovich. Maestro Ivanovich é autor de composições nos repertórios dos maiores cantores brasileiros, como Ângela Maria, Cauby Peixoto, Moacyr Franco, Agnaldo Rayol, Wanderley Cardoso, Elza Soares, Jair Rodrigues, Clara Nunes, Agepê, Vanusa, Fafá de Belém, Joana, Toquinho, Ney Matogrosso, Luiz Ayrão, Marina Lima, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Alcione, Beth Carvalho e tantos outros. Atuou como regente de orquestra da TV Globo em programas como Globo de Ouro e Domingão do Faustão, além de vários musicais, destacando-se um dos especiais de fim de ano de Roberto Carlos. E, para esse mesmo cantor o acompanhou em sua turnê ao México e Buenos Ayres, como Regente de Orquestra. Escreveu trilhas incidentais para novelas da TV Globo e programas como Os Trapalhões. É de sua autoria o Tema de Abertura do Jornal Hoje. 
 
Como afirmou Beth Carvalho em sua mensagem de felicitações pelo recebimento do Título de Cidadão Taubateano, “ ...Ivan Paulo além de grande amigo meu há mais de 40 anos é um dos maiores Maestros que esse Brasil tem. Sabe tudo! Dificilmente surgirá outro igual”. Após as devidas considerações, apresento o discurso proferido por Oswaldo Crisante Xavier dos Santos, por ocasião daquela Solenidade. “Quem é assíduo telespectador do Faustão aos domingos, ou assiste esporadicamente, já deve ter ouvido o apresentador empostar a voz e fazer agradecimentos ao Maestro Ivanovich Paulo da Silva. A grandiosidade desse profissional garantiu-lhe o Título de Cidadão Taubateano e ele veio em 19 de fevereiro a Taubaté especialmente para receber a homenagem. A indicação foi do Professor e Historiador Gilberto da Costa Ferreira, e de autoria do Vereador Jeferson Campos. Tive a honra de ser um dos oradores e pude contar a trajetória desse grande Maestro e assim me referi: “Dizem os sábios que os músicos, os compositores e os poetas estão mais perto do Criador”. E é a pura realidade. Nada é por acaso. Tudo tem a ver, hoje é dia 19 de fevereiro e, Ivanovich nasceu no dia 19, no mês de agosto de 1937. Seu pai também nasceu no dia 19, em dezembro de 1910. Gilberto foi militar. O pai do Maestro, Ivan Paulo da Silva, também foi na linha dura militar, mas na sensibilidade da música. Seu instrumento, sua ferramenta, não foi só a carabina, mas também o seu trombone que executava com muita maestria. Seu pai foi um grande Maestro, passando por várias orquestras e compôs grandes melodias. Teve a honra de fazer o Prefixo Radiofônico do “Repórter Esso” que se perpetuou no tempo e marcou a radiofonia brasileira. Seu filho também fez o Tema de Abertura do Jornal Hoje, da TV Globo. Muita coincidência! Ivan Paulo da Silva deixou sua semente, o seu DNA que dispensa comentários em seu vasto currículo. O professor Gilberto estudou suas parcerias e composições, levou muito tempo e ainda não as completou. Com toda sua intimidade com seu amigo Maestro Ivanovich, levaria sem dúvida várias sessões para destrinchar sua carreira como Maestro e músico arranjador.

Vou fazer um pequeno resumo, do pouco que conheço desse fenômeno. Quem já não viu Ivanovich na TV, além do programa do Faustão, participação do especial de Roberto Carlos e em vários programas de grande audiência? Ele foi do erudito ao popular. Do Teatro Municipal aos arranjos de sambas de enredos. Nos Grandes Concertos dominou o público com seus acordes dissonantes. No popular encantou a multidão nos improvisos. É como compará-lo ao rei Pelé, que é da sua época e que também improvisava nas jogadas fazendo delirar a torcida, como faz hoje Messi e Neimar. O Maestro também passeava e bailava nos compassos da escala musical, da mesma forma. O Maestro Ivanovich foi de Noel a Chico Buarque de Holanda; de Roberto Carlos a Tim Maia, e até aos conjuntos populares de sambas e pagodes. E vale ressaltar que dois deles ainda estão comemorando a vitória da Escola de Samba de Vila Isabel que são Arlindo Cruz e Martinho da Vila, berço de Noel, onde seu pai foi convidado com muita honra a facilitar as partituras nas calçadas musicais da famosa Vila. E este Maestro, seu filho, também fez parceria com outro bamba da Vila, Martinho da Vila, que dia 20 de fevereiro, amanhã, portanto, estará no SESC de Taubaté. Com certeza, vou estar numa coletiva com ele e vou dar a notícia desse Maestro seu amigo com 75 anos, mas que já viveu 150 anos, mas tem um porte físico de 37 anos e que é o mais novo taubateano.

E você Maestro Ivanovich, leve para os seus entes queridos, para os seus músicos, onde estiver e diga: agora sou taubateano como meu pai. E com muito orgulho diga também, que você faz parte da galeria das grandes personalidades da Capital da Literatura Infantil, como Monteiro Lobato, Mazzaropi, Celly Campello, Anacleto Rosas Junior e tantos outros. Parabéns, MAESTRO IVANOVICH! Que Deus sempre abençoe a sua batuta. Nota: Ficam aqui expressas todas as felicitações ao meu amigo Crisante, leal e probo, e que jamais encontrei quem o conhecesse que não lhe quisesse bem. Uma grande alma e um coração incomparavelmente voltado para a alegria. 



O REGENTE DIVINO 



Descobrimos ao longo da vida que há algo que sempre nos encantam, nos enchem de magia e nos conduzem ao ápice da beleza e da alegria: a música. Posso dizer que é  um momento Divino.  E Deus me proporcionou poucas horas para ouvir, sentir e conhecer musicalmente  o Maestro João Carlos Martins,  que se apresentou no SESI de Taubaté, no último domingo ( 27), com a Bachiana Filarmônica SESI-SP. Estive na coletiva e, me emocionei ao estar tão perto de um ser humano humilde que, pela grandeza de seu trabalho, dedica parte de seu tempo aos jovens que não têm condições  financeiras de se aperfeiçoar na música. Durante sua apresentação foi muito aplaudido quando contou como concretizou o seu projeto. Um dia procurou na FIESP o seu presidente Paulo Skaf e pediu-lhe que o SESI adotasse um músico da orquestra. Quanto aos outros músicos, conseguiria com outras Federações. E Skaf pediu um tempo para pensar no assunto. O Maestro ficou preocupado  e, relatou que se não conseguisse na Fiesp o seu projeto morreria ali. Decorridos alguns dias, Skaf  lhe telefonou e disse que tinha duas notícias. Maestro tenho uma notícia ruim e uma boa. A ruim é que eu não posso assumir um músico. A boa, é que eu posso assumir a orquestra inteira. Esse foi um bom começo para quem tinha um projeto grandioso.



Na entrevista coletiva, minha pergunta também fez o Maestro  se emocionar, quando lembrei que ele foi manchete no Brasil, em todos os meios de comunicação, com o título “A Música venceu” quando desfilou pela Escola de Samba “Vai Vai” a famosa Saracura. Simultaneamente, Roberto Carlos desfilava pela Beija Flor de Nilópolis. No carnaval de 2011, as duas Escolas de Samba foram campeãs, ao exaltar a música na avenida. Sabendo do sucesso de sua cirurgia, que a cada dia volta a movimentar os dedos da mão direita, embora as notas musicais nunca se apagaram da sua consciência, com certeza voltará a brilhar nos grandes palcos dessa vida; não só regendo mas executando obras dos Grandes Mestres.   Pedi, então, que explicasse como se deu  o acidente nos Estados Unidos, quando treinava na Portuguesa de Desportos, que  é  sua paixão no futebol. E ele respondeu que já havia contraído a moléstia, o tombo foi fatal. Ele bateu com a cabeça, atingindo um nervo do  cérebro, complicando mais a situação. Assim, afastou-se dos palcos por um determinado tempo.  A superação, a dedicação e a determinação falaram mais alto e o Maestro se tornou um anjo regente. Sim, posso afirmar  que os Grandes Mestres, os avatares que por aqui passaram, disseram: Os músicos, os compositores e os poetas estão mais próximos do Criador.



Os cientistas  e os físicos afirmam que o nosso Universo é conduzido por cordas aspirais, como se fossem cordas musicais. Tudo é uma sinfonia, que se produz em harmonia e tudo caminha através dos sons melódicos. Tem sentido e, nos  dias atuais não se nega mais nada. Tudo é um mundo de possibilidades dentro da lei quântica. Hoje, o povo pode conhecer melhor o grande regente, que com perseverança e  amor pela música o conduziu a reger grandes orquestras.   Ainda temos o privilégio de ouvi-lo tocando no piano, com apenas dois dedos, a obra de seu ídolo, Johan Sebastian Back. O amor pela música o levou a desenvolver projetos com  grupo de jovens músicos e, Tremembé foi a mais recente apadrinhada. Sua meta é conseguir 1000 projetos sociais por esse Brasil afora. E vai conseguir, porque ele é divino.  No momento em que  entra em cena, se torna um anjo e, com sua sabedoria contagia seus  músicos e  seu público. Tem-se a sensação de que ele vem com uma retaguarda de querubins e produz  um coro em notas musicais, tornando a melodia mais sonora, mais eficaz e com tamanha energia. Acredito que só podem ver os querubins, quem ama. E eles, com certeza,  auxiliam o Maestro  para que cumpra a sua missão nesta vida terrena.



O POETA DO SUPREMO



Vivemos num país justo e democrático, por conta de haver homens de brio que agem comprometidos com sua própria consciência. Se todos assim agissem, acredito que o mundo seria bem diferente. Sinto orgulho de poder enumerar as virtudes de um homem que vem de uma cidadezinha chamada Propriá (SE) para ser o presidente do STF, com um currículo de causar inveja, sendo autor de diversas obras jurídicas e de poesias. É membro da Academia Brasileira de Letra Jurídica e da Academia Sergipana de Letras. Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto é um autêntico brasileiro, um brasileiro que após cumprir o seu mandato de presidente do Supremo Tribunal Federal, tem uma saída triunfal. Ele, ao completar 70 anos em 18 de novembro de 2012, deixará o seu posto com galhardia e, sem dúvida, será a semente da ressurreição para um novo amanhecer dentro do STF, juntamente com os ministros que o acompanharam no seu modo de pensar. Quando tomou posse como presidente do supremo, abriu o discurso com uma frase de Thomas Stearns Eliot, que vem de encontro com sua personalidade: “Eu disse a minha alma, fica tranquila e espera. Até que as trevas sejam luz e a quietude seja dança.” Num dos trechos do discurso, falou sobre a responsabilidade de julgar. Que não se deve confundir jamais o papel de julgador com o de parte processual, pois o fato é que juiz e parte são como água e óleo, Não se misturam. E, ainda acrescentou: ”Quem tem o rei na barriga, um dia morre de parto.”  Para ele, o Juiz não é traça de processo, não é ácaro de gabinete e, por isso, sem fugir das provas dos autos nem se tornar refém da opinião pública. Desta forma, dá uma demonstração de que o cargo do supremo não é um cargo de confiança, como muitos pensam.



Com um espírito de poeta, falando em versos e em prosas, riscou o Salão do Supremo em poesia, versejando  em alto e em bom tom, porque assumia a presidência do STF, com mais uma afirmação de um comandante. __ Não sou como camaleão que busca lençóis em plena luz do dia. Sou como pirilampo que, na mais densa noite, se anuncia. Falou da democracia, enfim, que se enlaça tão intimamente à liberdade de imprensa, que “romper esse cordão umbilical é matar as duas: A imprensa e a democracia”. Democracia que deve se manter com “plena liberdade de informação jornalística”, uma relação de unha e carne, de olho e pálpebra, de veia e sangue. Fez uma comparação entre a Justiça e a Sentença: ___ A Justiça, uma palavra feminina, também não sendo por coincidência que o substantivo sentença venha do verbo sentir, na linha do que falou o sergipano Tobias Barreto: “Direito não é só uma coisa que se sabe, mas também uma coisa que se sente”. Trocando em miúdos: Quem não começa pelo amor, não vai à filosofia alguma. Não sabemos a surpresa do seu discurso de despedida, mas encerrará com Chave de Ouro. Como fez em sua posse, quando falou da harmonia de sua família, que se fazia presente, e o amor de sua vida, Rita de Cássia, sua esposa e companheira. “Ponho os meus olhos nos olhos de Rita, mulher com quem durmo e acordo e, que também é a mulher dos meus sonhos”, desabafou emocionado.



E, encerrou lembrando quando se conheceram como se fosse a cereja do bolo “rubro como a pele das manhãs, como o talo das madrugadas, doce como o gosto da minha vida, Rita ao seu lado desde então”. E, filosofou profundamente ao pronunciar o   seu último verso, na posse: “A silhueta da verdade só assenta em vestidos transparentes.” Na sua última sessão, na saída do STF, cercado pela imprensa, disse: ”Passei por aqui e não perdi a viagem.  Com certeza foi mesmo uma viagem de alma e não uma viagem de ego”. E, finalizou: “A toga gostou dos meus ombros”.

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QUANDO A POETIZA NOS DEIXOU.

Cumprindo  sua missão com muita galhardia e, dando um show na escola da vida, Lygia Therezinha Fumagalli Ambrogi, nos deixou no dia 10 de março de 2012. Com seus 97 anos bem vividos, ela  se destacou em todos os seguimentos em que participou como professora, jornalista, escritora, advogada e poetiza. Com certeza, ela  já faz parte dos grandes personagens que passaram por essa terra de  Monteiro Lobato, e seu nome será perpetuado na galeria dos heróis e heroínas de nossa Taubaté. Nasceu em Deodoro, hoje Piraquara-PR, em 1915, mas se tornou taubateana em 1967, quando recebeu o Título de Cidadã pelos serviços prestados nesta terra que sempre amou. Filha do Cel Walfrido Fumagalli e  da professora Maria Eliza da Silva Fumagalli, mostrou o seu arrojo participando da Revolução Constitucionalista de 1932 e, foi Comandante do Batalhão Feminino. E, em todos os lugares pelos quais passou deixou saudades. Mas a sua simplicidade foi a sua marca registrada. Nessa área superou todas as expectativas de um ser humano, principalmente nos trabalhos prestados em nossa cidade, quando aqui chegou aos seus dezoito anos. Assistindo ao programa da TV Cidade, gravado em março do ano passado, quando  foi entrevistado pelos jornalistas Celso Brum, Iara Carvalho e o professor Osmar Barbosa, é que a gente sente a veracidade de suas palavras e a firmeza do seu caráter, pois a personalidade de cada pessoa está na expressão dos seus pensamentos.

No meio da entrevista, ela citou o seu amigo Coronel Domício Silveira da cidade de Bauru, quando da sua participação no projeto Rondon na Amazônia, como advogada no ano de 1975. Lembrei-me dessa personagem marcante, sem nunca ter conversado com ela, mas estive presente em três tempos diferentes da sua vida, acompanhando o seu trabalho. No primeiro momento, quando ainda menino estudava no Grupo Escolar “Dr Quirino” no bairro da Estiva, quando a vi pela primeira vez. Estava ela junto com dona  Ondina Amadei  Beringhs, quando desempenhava o projeto da Casa  da Criança e, ainda me lembro de quando cantamos uma quadra dedicada à dona Ondina, que dizia: “Um, dois, três, Quatro, cinco, seis, Sete, oito, nove, para Doze faltam três.  Casinha de Bambu-Ê, casinha de bambu-Â.  Dona Ondina, Dona Ondina”. Quem estudou naquela época se lembra dessa passagem.

A segunda aconteceu na época em que morei  em Bauru, jogando futebol pelo Noroeste e estudando na Faculdade de Educação Física da (ITE).  O coronel  Domício  Silveira, amigo de Lygia,  era meu professor e paraninfo da turma de 1970.  E como sempre mantinha contato com ele, me indicou para o projeto Marechal Rondon, quando eu já estava residindo novamente em Taubaté. Ele sempre falava muito de seus amigos que aqui residiam, como o  coronel Irahyba de Paula Rosa, que foi meu padrinho de casamento e, principalmente, de Lygia, pela amizade de longo tempo. O terceiro momento há pouco tempo, quando comecei a escrever nesse periódico e, lendo suas matérias e suas poesias. Ela sempre teve  intimidade com as rimas dos seus versos e, mais, viajava nas asas da poesia  chegando perto do Criador, onde outros homens comuns não podiam chegar. Para ela o verde era mais verde;  o azul mais azul; as estrelas suas guias, como o Cruzeiro do Sul. Fez o Sol beijar a Lua em noites de serestas e boemia. E fez da vida um romance com seu amor Dr. Cesidio Ambrogi, trocando bilhetes quase todos os dias, fazendo aqui o seu paraíso terrestre. Quero deixar a minha singela homenagem com duas quadrinhas.

I
Você nesse mundo terreno
Além de tudo foi poetiza.
Tão leve, suave, como a pluma
No orvalho, na relva, na brisa.

II
Será  de porte e nobreza
Nessa outra dimensão.
Estrela de primeira grandeza
Brilhando na imensidão.

 

MANDELA.

A imagem de Mandela estampa as capas das revistas do mundo  inteiro, como no Brasil, com destaque na Veja, Época e Isto É.  Assim, o Mundo continua reverenciando o líder africano, que mesmo depois  de morto, longe de nossas vistas, está perto dos nossos corações. São cenas nunca antes vistas na história de um estadista, onde mais de 90 autoridades que representaram seus países se fizeram presentes  no cerimonial fúnebre. Todavia, Mandela vibraria novamente com o povo que lotou o estádio de Johanesburgo, esse povo que aprendeu a respeitar esse  líder político, enquanto o atual presidente da África do Sul, Zuma, foi vaiado pelo mesmo povo, que soube diferenciar seus governos. Como deve ser gratificante discursar para um homem que foi endeusado pelo seu povo, marcou a história da África do Sul e foi  reconhecido no mundo inteiro. Teve os seus momentos de ódio e raiva, quando esteve encarcerado por 27 anos pela luta contra a Apartheid, e saiu para ser o presidente da África do Sul, que serviu para apagar  essa mágoa, e deixou o exemplo de um legado inestimável de um líder que abraçou a paz e construiu uma nação.

Mandela foi o primeiro presidente negro de um país de esmagadora  maioria de sua raça, pobres, miseráveis. Hoje, dentre os vários oradores do mundo inteiro, um deles, o primeiro americano negro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o homem mais  poderoso do mundo, não precisou ter uma retórica rebuscada para elogiar o grande líder. Com muita admiração reverenciou o ex-presidente africano num discurso emocionante, fazendo a plateia delirar com suas palavras: "Mandela  teve o poder das ideias e atitudes, foi o gigante na história, um  gigante do século XX”. E foi novamente aplaudido quando citou Zulus, outras tribos e povos de variados dialetos e, acrescentou que Mandela criou plataformas  para que homens e mulheres pudessem lutar com dignidade e “pagou um alto preço e estava preparado para a morte”. A cada frase de Obama, o povo aplaudia com a alma e o coração pelo amor que tem por Madiba, que estará eternizado em suas memórias e passará para outras gerações que  virão. O Brasil também levou o seu recado de solidariedade ao povo africano, representado pela presidente Dilma e os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Color de Melo, Luiz Inácio da Silva e  Sarney. A festa mesmo aconteceu antes da cerimônia oficial. Logo pela  manhã, às 5 h o trem partiu para o estádio de Johanesburgo e os grupos  se encontraram e cantaram. E, em cada curva surgia uma frase, como “Mandela pai de todos”. Às 7 h, já no estádio, o povo emocionado cantava, dançava e ovacionava com muita vibração o nome do grande  líder.

Nelson Mandela trouxe a democracia, o povo é o dono da festa entre  brancos e negros numa só voz, sem parar um instante. A cerimônia mostrou a força desse homem extraordinário. A caminhada do povo para dar sua última despedida ao seu líder demorou  horas, nos remete ao título do livro que escreveu "Uma longa caminhada para a liberdade". Mas, o povo não arredou um passo e  permaneceria por quanto tempo fosse necessário. Ele deixou o exemplo todos leiam sua cartilha, mas que também pratiquem, que é mais importante. Uma pequena observação, os discursos citavam os três pontos destacados por Mandela: “Educação, corrupção e a paz”. Quanto paradoxo! Aqui no Brasil a Educação perece e está longe em comparação com as nações desenvolvidas. A “corrupção” que parte dos nossos governantes  se alastra pelo país. E, quanto à “paz”, assistimos pela televisão confronto entre os torcedores numa batalha feroz. E tudo em nome do futebol, que é a nossa paixão nacional. Acorda Brasil! Vamos ler a cartilha de Nelson Mandela.




             O SAMBA PEDE PASSAGEM   -  (HOMENAGEM A JAIR RODRIGUES).




O Samba está de luto. A Voz que saudou o morro e encantou o Brasil se despede aos 75 anos de idade muito bem vividos. Um ser maravilhoso que trazia no semblante um sorriso maroto, brincalhão, um verdadeiro menino, que soube ser parceiro dessa vida terrena. Caminhou de mãos dadas com a vida por todos os lugares que passou e teve a reciprocidade do povo que sempre o adorou. Ele trazia a alegria no sorriso e sabemos que rir traz a felicidade, principalmente desse povo sofrido que nos momentos de futebol e do samba  é que ele se descontrai, esquecendo o seu dia a dia, das lutas e labutas. Foi do samba raiz, da seresta, do sertanejo ao rap, na bossa nova mandou o seu recado com sua parceira Elis Regina. 

Nasceu em Igarapava (SP), divisa com o estado de Minas Gerais. E quando  perguntaram numa entrevista se ele não fosse cantor, o que ele seria, ele respondeu que tentaria a vida toda para ser cantor, seu sonho de consumo. Fica o recado de “Quem acredita no sonho constrói a realidade”. Tive a oportunidade, na juventude, de jogar futebol contra ele, em Tabatinga-SP, na festa da cidade e posso afirmar que como jogador foi um grande sambista. Mas, até no campo ele era majestade fazendo descontrair todos os boleiros, fazendo como de costume aquela palhaçada. Seu apelido “Cachorrão”, como era chamado por Elis. Coincidência ou não, há pouco tempo estive com Jair, quando ele se apresentou em Taubaté e fui autor do samba-enredo do Ametra, que o  homenageou. Na avenida o povo pode cantar junto com o grande intérprete da música popular brasileira o samba que conta sua vida. Hoje, com certeza, a festa vai ser de arromba no céu. Com seus parceiros todos preparados na espera com um coro de anjos e querubins, ao som de orquestras e a bateria de mestre André (Pe Miguel) com cavaco, pandeiro, tamborim e muitas cabrochas. E a alegria vai ser geral. Segue a letra em homenagem ao grande cantor.

         
(Introdução)

Prepare seu coração
Pras coisas que eu vou contar
Eu venho de Igarapava
Da fronteira divisão
E sei que vou lhe agradar
Porque na Ametra vou desfilar

Lá vem Ametra dando um show na passarela
Toda vaidosa de novo Para sacudir a avenida do povo
Prepare seu coração
Vem ver o artista que ela vai mostrar

Vem amor
Vem sambar (bis)
Vem ver o sambista
Que cantou o sabiá

Jair Rodrigues
Hoje volta a ser criança
É bom na ginga e diz no pé
É Igarapava é Taubaté

Viajando no chão de estrelas
E tomou banho no luar do sertão
Viu o menino da porteira
Que disparou seu coração

Foi seresteiro e parceiro de Elis
Na Bossa Nova cantou o Happy e Raiz
Saudou o morro e encantou a multidão
Quanta emoção com os pequeninos vem cantar esse refrão

Já Já Já Cachorrão
Salve esse menino do bicho papão (bis)



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PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO. 
cfgilberto@yahoo.com.br
 

LEONE MARCHTEIN (21)




 




UMA ALMA GENEROSA E DE MUITA PAZ



Na última semana do mês de março de 2000, caminhando pela Praça Dom Epaminondas, em Taubaté-SP, e ao encontrar com amigos que como eu vão se manifestar do cotidiano de nossas vidas, fui tomado de surpresa pela triste notícia do falecimento de um  grande e estimado amigo, Leone Marchtein. E logo o revi, com os olhos da imaginação, como o via, invariavelmente, sempre defronte à sua loja de móveis da Rua Visconde do Rio Branco a cumprimentar a todos que por ali passavam. Alto, muito bem vestido, dando mostras de sua origem russa, Leone Marchtein era um gentleman, um amigo desses que se encontra de século em século. E dentro dessa pessoa, quanta cortesia, quanta bondade, quanta paz! Sim, paz! Porque sua maior virtude era a de transmitir a paz a quem quer que fosse, de um mendigo ao seu melhor amigo. Filho de Luiz Marchtein e de Raquel Marchtein, judeus russos, nascera aos 19 de abril de 1920, uma terça feira da primavera em Kames-Podolak, na Rússia. Contava-me que suas recordações sempre o levavam até aquela região, onde, juntamente com outros meninos, brincava com seu trenó na neve. Foram momentos marcantes em sua vida, transportadas depois, para um outro Continente totalmente diferente em seus usos e costumes. Mas, aquele menino, também judeu russo, logo daria continuidade à sua infância maravilhosa, conquistando novas amizades e se adaptando rapidamente ao Continente Sul Americano e a um clima situado entre os Trópicos de Câncer e de Capricórnio, completamente antagônico às suas origens.  

Sua família, desembarcando no Porto de São Sebastião, no Rio de Janeiro, dirigiu-se à cidade Sul Fluminense de Barra Mansa, onde começaram a traçar a caminhada de suas vidas. Há indícios de que a escolha para essa cidade fora casual, talvez influenciado por outro passageiro durante a viagem ao Brasil. Foram tempos de difíceis adaptações, em razão principalmente do novo idioma a ser enfrentado. De uma família composta de seis irmãos, e apenas uma mulher, alguns anos depois, seus pais se mudariam para Taubaté, à época, a mais importante das cidade do Vale do Paraíba Paulista, porém, três de seus irmãos lá permaneceriam, estabelecendo-se, constituindo suas famílias e dando continuidade às suas vidas. Em Taubaté, Leone passou a exercer a profissão de vendedor de roupas feitas, primeiramente vendendo a domicílio e depois em sua própria casa, situada na Praça Monsenhor Silva Barros, nº 81, sendo que ainda em sua residência abriria uma pequena loja, adaptada em um dos cômodos. Dessa maneira viria a se destacar como um hábil comerciante, onde, sua marca registrada estava justamente estampada em seu perfil de homem íntegro, educado, leal, e, acima de tudo, honrado.
Na década de 50, decidido como sempre fora, conheceria aquela que seria a grande inspiração e o grande amor de sua vida, Helena, uma moça muito bonita, gaúcha de Porto Alegre, e residente em Taubaté.  Também nessa mesma década Leone despontaria como um grande cantor de canções românticas. Dono de uma linda voz era um fã incondicional das músicas que tocavam os corações, dentre eles, Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Carlos Galhardo e Cauby Peixoto, bem como um fã ardoroso de Anacleto Rosas Júnior, este, um compositor de escol das lindas canções de nossas raízes e interpretadas pelos maiores cantores  de nosso país. Certa vez, conhecedor de sua predileção por músicas românticas, perguntei-lhe se havia alguma em especial. E a resposta veio de maneira fulminante: gosto muito de Carlos Galhardo e as músicas "A última inspiração" e "Fascinação" são as preferidas. Leone interpretava as canções românticas de uma maneira muito especial, cantando-as com a alma inspirada de um jovem apaixonado. 
Entretanto, por obra do destino e o destino não acontece por acaso, viria a conhecer João Bonani, o nosso sempre querido, bondoso e conhecido J. Bonani, que com seu pai tinha um programa na Rádio Difusora de Taubaté no início dos anos 50, e onde eram exibidas as mais variadas canções e apresentações de cantores. Aliado a esse detalhe da amizade entre ambos, Leone faria um pedido, quase por clemência para que o ajudassem a conquistar o coração de uma moça chamada Helena, com o intuito de que uma varinha mágica pudesse alcançar Cupido e fazer despertar naquela Bela Adormecida o amor que nutria por ela. Para tanto, solicitou a ambos que o deixassem cantar e desse modo poderia oferecer a música escolhida para aquela que mais tarde seria sua esposa. Também, em outras ocasiões, e sempre por intermédio desses amigos locutores, oferecia-lhe algumas canções e até alguns ensaios de serenatas acabariam por acontecer, contribuindo dessa forma para alicerçar, somar e concretizar o “tão sonhado, acalentado e inspirado desejo”: o amor de Helena.
Um dia, seus olhares se cruzariam e dentre eles surgiria um grande amor. Assim, após algum tempo de namoro e noivado, viriam a se casar em Taubaté, primeiramente no Civil, no dia 1º de fevereiro de 1953 e uma semana depois no religioso, dia 08, na Sinagoga Centro Israelita de São Paulo, localizada na Rua Newtom Prado, nº 76, Bairro da Luz, em São Paulo. Estávamos em pleno verão e há uma semana dos festejos carnavalescos. Os lugares para a tão decantada  Lua de Mel, não poderiam ser melhor escolhidos, tendo como palco a então Capital Federal do Brasil, Rio de Janeiro e a assistirem de camarote e bem juntinhos  do famoso Hotel Glória, a magia do carnaval brasileiro. Depois iriam para Petrópolis, naquele Estado, importante e histórica cidade da Região Serrana Fluminense, onde, no famoso e aconchegante  Hotel Cassino Quitandinha continuariam desfrutando de suas alegrias. Por fim, para concluírem seus sonhos viajariam até São Lourenço, das águas milagrosas das Minas Gerais, onde acabariam por selar aquela união de muito amor e carinho.
Nos negócios, Leone mudaria do ramo de roupas feitas para o de móveis, devido à influência e incentivos de seu irmão Manoel, um competente comerciante de móveis no bairro da Mooca, em São Paulo. Para tanto, inauguraria a acolhedora e próspera Loja de Móveis Carioca, nome esse em homenagem ao habitantes do Rio de Janeiro e  que um dia recebera sua família de braços abertos. Sua clientela era grande devido ao atendimento dispensado com carinho e apreço que Leone dedicava aos seus clientes. Pessoa dotada de uma paz interior imensa e que se estampava em seus olhos, era a extensão na maneira pela qual a todos transmitia. Era o espelho da bondade, a alma caridosa  que procurava estender as mãos ao seu semelhante. Sempre sorridente, solidário e muito prestativo, Leone era a expressão do amor em toda sua plenitude. Um homem de paz voltado para a paz! E daquele sagrado casamento, os frutos seriam colhidos para a alegria da Família Marchtein, com os nascimentos dos queridos e diletos filhos Valdir Jacob, Rosângela, Sueli, Denise, Sérgio, Raquel, Célia, Paulo e Sandro.
Por desígnios do Todo-poderoso, no dia 27 de agosto de 1991, Paulo ficaria para trás na estrada da vida, com apenas vinte anos de idade.  Jovem, bonito, inteligente e um promissor engenheiro, logo viria a sucumbir diante de uma leucemia precocemente detectada, mas que não conseguiria vencê-la. Um doloroso e triste momento para a Família Marchtein. Mas a vida teria de continuar, e, as lembranças sempre saudosas daquele moço cheio de vida e de esperanças serviriam para o alento e continuidade de suas vidas. Como reconhecimento de sua contribuição ao engrandecimento cultural de Taubaté, a Câmara Municipal, através da Lei 2764, de 17 de dezembro de 1993 viria a homenageá-lo postumamente com a denominação de "Rua Paulo Rotband Marchtein - Universitário", localizada no Loteamento Santa Inês, Bairro do Barranco. 
Com o passar dos anos, Leone e Helena começaram sentir a inevitável separação física de seus filhos e seus distanciamentos, que, como eles um dia, viriam a constituir suas famílias. Leone, já alquebrado pelo peso da idade, passou a enfrentar problemas de saúde, acometido que estava por uma insuficiência cardíaca, motivando com isso, sua internação no Hospital São Lucas, em Taubaté. Em 17 de março de 2000, a 01.15 h. veio a falecer vitimado que foi por uma parada cardiorrespiratória irreversível, insuficiência cardíaca descompensada e dupla lesão aórtica, sendo o óbito  atestado pela Dra. Maria Aparecida Nogueira de Barros, CRM 45.940. Seus olhos se fechariam e seus lábios se emudeceriam para sempre. Entretanto, deixaria como legado para todas as gerações que a paz fosse disseminada e que o amor ao próximo se tornasse uma constante. Leone Marchtein foi sepultado no dia 18 de março de 2000, por volta de 16.00 horas, no Cemitério Israelita, situado no Bairro de Butantã, em São Paulo. Como reconhecimento de seu trabalho em prol do engrandecimento de Taubaté, a Câmara Municipal pela Lei nº 3728, de 19 de dezembro de 2003, denominaria como homenagem póstuma  "Rua Leone Marchtein - Cidadão Prestante", localizada no Jardim Marlene Miranda, no Bairro do Itapecerica. A saudade imorredoura, as lembranças infindas e sua passagem entre nós, nos confortam e nos completam com a certeza do Reencontro Prometido nas Sagradas Escrituras. Requiescat in pace, meu grande amigo e irmão Leone. Até um dia!



PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO. 
cfgilberto@yahoo.com.br

GALEANO DE PAULA NUNES (20)



 



QUANDO SE CONVERSA COM AS FLORES



Os homens nascem, vivem e morrem como os dias. Dias há que alvorecem com todas as tintas e cantigas da primavera, e que vão se desbotando e calando, no decurso das horas. Outros que amanhecem cobertos da cinza do inverno, e que vão se enfeitando e animando, com a aproximação festiva da tarde. E outros, ainda, em que o sol fulgura doze horas, de horizonte a horizonte, e se afundam no poente numa apoteose de fogo e de cores ardentes. E os seus destinos dependem, efetivamente, menos deles mesmos do que do meio em que surgem e se desenvolvem. Dessa maneira procurei nas lembranças saudáveis de minha vida, justificar e prestar uma homenagem neste Dia dos Pais de 10 de agosto de 2013, a um grande amigo com o qual convivi por um pequeno espaço de tempo, mas o suficiente para entender que a velhice é um dos mais altos e nobres atributos da glória. É o mais belo prêmio da vida.

Refiro-me a Galeano de Paula Nunes. Para tanto, é preciso voltar os ponteiros do relógio do tempo. A pequena, mas linda cidade de Santa Rita do Jacutinga está localizada na Região Sudeste do Estado de Minas Gerais. Pertence à mesorregião da Zona da Mata e microrregião de Juiz de Fora. Apesar de contar com apenas cinco mil habitantes para uma área de 442 km2, Santa Rita do Jacutinga é abençoada por ser agraciada com inúmeras cachoeiras, rica em águas e minas, com clima ameno, noites frescas e um céu maravilhosamente estrelado. Possui uma igreja em cada bairro da cidade, tendo como Padroeira Santa Rita de Cássia e com a Matriz recebendo seu nome, a qual em 22 de maio é dedicada uma grande festa em seu louvor, com encerramento na primeira segunda feira do mês de junho.  Também encontramos na acolhedora Santa Rita de Jacutinga a famosa Igrejinha do Alto, situada a 800 metros de altura e incrustada no Monte Calvário, dedicada a Nossa Senhora Aparecida.

Naquela cidade em 17 de abril de 1926, um sábado do outono brasileiro, seus moradores recebiam de braços abertos seu mais novo habitante, Galeano de Paula Nunes, filho de Manoel da Cunha e de Rita Gracelina de Lacerda. Criou-se na zona rural da mesma cidade de seu nascimento, estudando e trabalhando para ajudar no sustento de sua família. No crepúsculo de sua juventude vem a conhecer Francisca, moradora próxima da residência de Galeano naquela localidade. Nas constantes trocas de olhares nasceria um grande amor. De um breve namoro e noivado, Galeano a levaria para o altar aos 29 de agosto de 1948, conforme constam seus assentamentos verificados no Livro B-6, folhas 123 do Registro Civil do Cartório de Santa Rita do Jacutinga. Aquele amor que prometera à sua esposa diante do Onipotente, perduraria até o último momento de sua existência. Algum tempo depois, Galeano com sua esposa e filhos, mudaram-se para São Luiz do Paraitinga-SP e aqui passou a desenvolver suas atividades de agricultor e pecuarista, primeiramente arrendando um sítio e depois, com o arrendo de outros dois sítios, veio a adquirir em definitivo aquele que seria de sua propriedade, o qual deu-lhe o nome de Sítio Camarinha, localizado em São Luiz do Paraitinga no bairro do Rio Abaixo.

Nessa cidade abençoada e berço de seus outros filhos, Galeano querido e conhecido de todos, teve momentos de muitas alegrias e momentos de profunda e marcante tristeza. Acompanhando o crescimento de seus filhos tanto físico quanto intelectual, entretanto, ficaria marcada para sempre em sua memória e de sua esposa, a perda de seu filho com apenas dois anos de idade, vitimado que foi em razão de uma meningite quando em viagem para Passa Vinte-MG, cidade onde moravam seus parentes. E ali aquela linda criança acabaria sendo sepultada. Ficara para trás, na estrada da vida. Pode-se imaginar o terrível sofrimento que passaram quando do retorno para São Luiz do Paraitinga, agora, sem aquele filho querido em seus braços. Entretanto, Galeano e sua esposa viveriam novamente momentos de tristezas, com a perda de mais um filho, vítima de afogamento quando, estando todos reunidos em seu sítio no bairro do Mato Dentro, em São Luiz do Paraitinga, não perceberam a falta daquele, que por infelicidade acabou perecendo nas águas tranquilas de um córrego que passava nos fundos da moradia. As lembranças infindas daqueles inocentes e queridos filhos, frutos de um amor incomensurável, prolongaram-se por muitos anos. Mas, para ambos a vida teria de continuar. Galeano trabalhava muito, da aurora do amanhecer ao crepúsculo do ocaso. Era um amante da natureza, aquele que sabia de um modo tão especial conversar com as flores. E dessa conversa íntima, resultava em transmitir ao seu semelhante aquilo que elas tem de mais belo, o amor!

O primogênito, José Carlos, sempre preocupado com seus irmãos e com os estudos destes, logo viria alugar uma casa na cidade de São Luiz do Paraitinga para a complementação educacional dos mesmos, em razão de não existir no bairro em que residiam, estudos curriculares de nível superior. Dessa forma, Antonio Carlos, então com 15 anos e sua irmã Rita Dulcelene  com 14 anos, passaram a residir na cidade. Todavia, as preocupações, tanto de Galeano quanto de dona Chiquinha, aumentaram, tendo em vista o problema de alimentação de ambos e as inesperadas separações. Galeano visitava-os todos os dias levando-lhes os alimentos necessários, tal como uma ave a alimentar seus filhotinhos. Assim, com a alimentação e o carinho do dia a dia, a vida continuava para todos. Com o decorrer do tempo a casa ora alugada, foi adquirida por seu pai e por José Carlos, tendo ambos contraídos um empréstimo para a aquisição definitiva daquele imóvel. Depois de algum tempo morando na cidade, Antonio Carlos e Rita passaram a trabalhar em uma padaria. E aqui, um caso engraçado para justificar esse emprego. Antonio Carlos em sua casa nos horários de folga da escola costumava brincar com Rita jogando café sobre ela e como represália, Rita jogava sobre ele a garrafa térmica. Mas Dona Chiquinha não sabe precisar quantas garrafas térmicas comprou para ambos. Coisas da infância e da adolescência. José Carlos, o filho que tanto se preocupou com sua família, estudou, trabalhou e constituiu sua família. Hoje, residente em Taubaté-SP é um competente e abnegado professor da Rede Pública. Luiz Carlos, o segundo filho na sucessão por idade, estudou na Escola São José do Mato Dentro, onde concluiu o curso primário, tendo ajudado seu pai até aos 18 anos, quando então, procurou sua independência, arrendando um sítio no bairro de Sertãozinho, em São Luiz do Paraitinga. Depois, outros sítios seriam arrendados, dentre eles, o de seu tio Emílio, por parte de sua esposa. Luiz Carlos, após dedicar sua vida no campo por muitos anos, muda radicalmente de atividade, culminando por dedicar-se à vida na cidade e como consequência seu emprego na Ford Brasil, em Taubaté, como metalúrgico, lá trabalhando por quatro anos.

Mais tarde, sentindo novamente a saudade do campo, distante de sua família e devido seu pai encontrar-se cansado para as atividades laboriosas da área rural, vem a arrendar o sítio Camarinha, de seu pai, passando a comandar e a enfrentar a nova atividade, antes, uma constante em sua vida, a pecuária leiteira. Luiz Carlos foi casado e de seu matrimônio nasceram seus três filhos. Antonio Carlos como seus irmãos, fez do trabalho e dos estudos, a razão de viver. Foi professor da Rede Estadual, foi Oficial de Justiça e atualmente é Promotor Público na cidade de Taubaté, com uma extensa folha de serviços prestada ao bem de toda  coletividade. Esteve a serviço da ONU no Timor Leste, para participar do Grupo de Trabalho para preparar os projetos de Legislação para o Código Penal Militar e Código de Processo Penal Militar de Timor Leste em 2005/06. Casado com Daniela tem uma filha, a linda Florência, que foi gerada no Timor Leste, mas, nasceu no Brasil, em Taubaté-SP. Também, Antonio Carlos tem três filhos do primeiro relacionamento, que, como costuma dizer "... todos os filhos são os amores de minha vida".


Rita Dulcelene foi professora e atualmente ocupa o cargo de Diretora de uma escola da zona rural de São Luiz do Paraitinga. É solteira e tem um filho. Dona Francisca, Chiquinha para todos nós, mãe maravilhosa e dedicada à família, é uma mulher muito querida por todos. Recebeu do Criador a dádiva de poder ver crescerem seus filhos e presenciar a multiplicação do sangue de seu sangue. Foi uma Níobe ao sofrer com o falecimento de seus dois filhos ainda crianças, e depois com o morte de seu marido Galeano. A ela podemos defini-la com as palavras de Dom Ramón Angel Jara, Bispo de La Serena, Chile, e tradução de Guilherme de Almeida: "Uma simples mulher existe que, pela imensidão do seu amor, tem um pouco de Deus; e pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo; que, sendo moça, pensa como uma anciã e, sendo velha, age com as forças todas da juventude; quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças; pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama e, rica, empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos; forte, entretanto, se alteia com a bravura dos leões... quando crescerem seus filhos, leiam para eles esta página...". Por isso, mulheres como Dona Chiquinha, quando sofrem assim, afrontam a dor e ficam acima da Humanidade. Galeano teve sua vida voltada toda ela para sua família. Fazia de todas as manhãs o seu passatempo predileto: cuidar dos animais, das plantas e, principalmente, de suas flores, daí a razão de seu filho Antonio Carlos atribuir o nome de Florência à sua filha,  em sua homenagem. Entretanto, por desígnios do Criador, Galeano não pode enlevá-la em seus braços, por não ter a oportunidade de conhecer aquela pequenina boneca de carne.


E, no Hospital São Lucas, em Taubaté, naquele dia 15 de abril de 2006, as 13.40 h seus olhos se fechariam para sempre, conforme Certidão de Óbito de nº 30408 de 18 de abril de 2006, inserida no livro C-51, folhas 260 e atestada pelo Dr. Antonio Carlos Costi, foi-lhe atribuído como causa mortis, parada cardio-respiratória, infarto do miocárdio, linfoma não-Hodgkin. No dia 16 de abril, às 10.30 horas Galeano de Paula Nunes foi sepultado no Cemitério Municipal de Taubaté-SP, no Jazigo Perpétuo da Família, à Quadra 18, Sepultura nº 42, antiga 221. Seu caixão estava repleto de flores, as mesmas flores que um dia, com elas, conversava sobre o amor.
Requiescat in pace, meu querido, meu velho, meu amigo!


PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

MARIA DO ROSÁRIO SALLES - (14)








  

RADIALISTA E ATRIZ
 




A PRIMEIRA MAMÃE DOLORES 

 
Maria do Rosário Salles, ou simplesmente Yara Salles, e conhecida pelo nome artístico de Yara Maria de Oliveira Salles nasceu em Tietê-SP, aos 27 de julho de 1912, um sábado do inverno brasileiro.  Era filha de José Rodrigues de Salles, conhecido como "Juca Ourives" e de Júlia Maria de Almeida Salles. Seu pai era descendente de uma família de músicos. Yara era uma aluna aplicada nos estudos, entretanto, aos 14 anos, interrompe-os em razão do falecimento de seu pai. A partir de então, consegue emprego na fábrica de tecidos Santa Luzia.  Era o começo das transformações em sua vida. Em 1934, na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo-SP, casa-se com Binot da Cunha, advindo dessa união, seu filho Vitor Binot. Nessa mesma época já se iniciara no rádio, sobressaindo-se como uma excelente radialista, tendo em 1939 sido contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro e participado da primeira novela radiofônica "Em busca da felicidade". Na áurea época da Rádio Nacional do Rio de Janeiro em 1942, juntamente com o compositor Lamartine Babo e Héber de Bôscoli,  formavam o famoso “Trio de Osso”, sendo seus componentes magérrimos, em alusão e caricatura ao conjunto “Trio de Ouro” composto por Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chagas. “Trio de Osso” apresentava o programa humorístico “Trem da Alegria”, muito divertido e um dos mais famosos do rádio brasileiro, tendo revelado nesse programa a cantora Beth Carvalho, então com sete anos. 

Em 17 de agosto de 1947, casa-se com o também radialista Heber de Boscoli, de quem ficaria viúva em 1955. Também apresentou o programa “A felicidade bate à sua porta”, de grande sucesso e que consistia em sortear casa de determinado subúrbio. Enquanto Yara Salles dirigia parte do programa diretamente do auditório, Heber de Bôscoli com sua equipe externa verificava quantos produtos da União Fabril Exportadora existiam na residência escolhida. Ao final da escolha apresentava-se a cantora Emilinha Borba para cantar suas músicas de maiores sucessos, como “Assim se passaram dez anos”, “Escandalosa” e “Chiquita Bacana”. Em 1948, iniciou sua breve carreira no cinema com o filme “Pra Lá de Boa” ao lado de Lamartine Babo, sendo sua única participação. Mas, a sua paixão estava voltada para o rádio e o humorismo era sua grande alegria e prazer.

Em 1951, participou daquele que foi considerado o maior sucesso em radionovelas da América Latina, interpretando a personagem Mamãe Dolores em “O Direito de Nascer”, levada ao ar pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Recusou vários convites para trabalhar na televisão como razão única para não deixar o rádio, sua vida. Entretanto, em 1963, convidada que foi, participou pela Rede Globo das novelas “Nuvem de Fogo”, seguida depois em 1979 da novela “Cabocla”, onde interpretou a personagem de Dona Generosa, e,  na novela “Coração Alado” em 1980, vivendo a personagem de Dalva Pitanga, ao lado de Perry Salles e de Vera Fischer. Ainda entre 1963 e 1967, é designada a trabalhar na Embaixada do Brasil em Tóquio, ocasião em que apresenta e monta várias peças teatrais. Em 1983, na novela “Eu Prometo”, interpretando a personagem Nilzete. Perry Salles era seu filho adotivo, o qual foi casado com a atriz Mirian Mehler e depois com Vera Fischer. Yara Salles foi vitimada por um infarto, falecendo na cidade de Bananal-SP aos 23 de junho de 1988, uma quinta feira da primeira semana do inverno brasileiro. Requiescat in pace, Maravilhosa Atriz.
 
 
PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

CÉLIA BENELLI CAMPELLO - (13)






   CANTORA E ATRIZ.




A PAULISTANA DE CORAÇÃO TAUBATEANO


Célia Benelli Campello nasceu em São Paulo aos 18 de junho de 1942, sendo filha de Nelson Freire Campello e de Idea Benelli Campello. Era a caçula daquela família muito unida e feliz e ao lado de seus irmãos Nelson e Sérgio (Tony Campello), este, seu eterno,  afetuoso e dedicado companheiro na carreira artística.

Viveu toda sua infância em Taubaté, interior paulista, onde sua família encontrava-se radicada. Sua inclinação aos pendores artísticos era notória, quando, aos cinco anos durante uma apresentação infantil na escola, interpretou dançando, a canção “Tico-Tico no Fubá”. Naquele momento mágico de sua vida e ainda inocente, surgia a grande estrela predestinada e fadada ao sucesso, e que encantaria gerações. Aos seis anos apresentava-se na Rádio Cacique de Taubaté, onde, mais tarde, aos doze anos já comandava seu próprio programa de rádio na mesma emissora. 

Na Rádio Difusora de Taubaté era presença obrigatória no inesquecível Clube do Guri, comandado pelo querido e saudoso Silva Neto. Quanta saudade! Cognominada “Brotinho de Taubaté”, Celly compartilhava a vida escolar com aulas de piano, violão e balé clássico com uma dedicação e aplicação digna de elogios. Em 08 de novembro de 1956, demonstrando toda sua performance em balé clássico e numa noite de gala, se apresentaria no Teatro Metrópole de Taubaté, diante da Orquestra Sinfônica de Taubaté sob a direção do maestro Yves Rudner Schimidt, cuja finalidade era compor o espetáculo de ballet dirigido pela bailarina Myrian Hisrt.

Era o seguimento de uma caminhada brilhante que seria coroada de pleno êxito e de enorme sucesso, quando, em 1958 gravara seu primeiro disco aos quinze anos de idade. Era o primeiro disco em 78 rotações de seu irmão Tony Campello (Sérgio Benelli Campello) e gravado na segunda faixa com o nome Handsome Boy (Belo rapaz). Tony, como carinhosamente é chamado foi seu grande incentivador e produtor, o verdadeiro irmão que jamais a abandonou, acompanhando-a em todos os momentos de suas carreiras como cantora e atriz, atuando como seu empresário e em outras diversas situações, sempre que requisitado. 

Na televisão, estreou no programa “Campeões do Disco” pela TV Tupi em 1958. Seu grande momento artístico e ápice da glória ocorreriam em 1959, quando da interpretação maravilhosa da versão brasileira Stupid Cupid, lançada no Programa de Abelardo Barbosa, nosso sempre saudoso Chacrinha, e que em nosso país ficou conhecida como Estúpido Cupido.

Paralelamente, nesse mesmo ano participou do filme em longa metragem de Amácio Mazzaropi, denominado “Jeca Tatu”. Também, nesse mesmo ano, estrearia pela Rede Record seu próprio programa e ao lado de seu irmão, denominado “Celly e Tony em Hi-Fi”, o qual teve a duração de dois anos.

Outra canção que marcou sua carreira foi “Banho de Lua”, lançada pelo selo Odeon em 1960 e que alcançou um sucesso sem precedentes. Aliás, esse foi o ano em que atingiu o máximo em popularidade, sendo aclamada “A Namoradinha do Brasil”. E essa popularidade culminaria com elogios do maestro e compositor Tom Jobin, com os lançamentos da boneca Celly lançada pela Trol e do delicioso chocolate Cupido pela Lacta, bem como, gravado jingles para a Fábrica de Bicicletas Monarc e a Fábrica da Toddy. 

Celly foi figura maiúscula na música brasileira, sendo considerada a precursora do rock no Brasil, e eternamente rotulada como a “Rainha do Rock Brasileiro”. Em sua vida de artista ganhou inúmeros prêmios, tais como o “Troféu Chico Viola” (1959, 1960, 1961 e 1962) este em conjunto com Tony Campello, “Roquete Pinto” (1959, 1960 e 1961) e o “Tupiniquim” (1959). Celly era cogitada para apresentar o programa “Jovem Guarda” da TV Record ao lado de Roberto e Erasmo Carlos, entretanto, por ter abandonado a carreira, foi substituída por Wanderléa. Em 1961 foi eleita a “Rainha do Rock”, por mais de 40 mil votos através da Revista do Rock. 

Embora não tenha nascido em Taubaté, orgulhava-se de ter iniciada aqui sua memorável carreira artística, e quando questionada, dizia ter Taubaté, a cidade que amava, em seu coração. Precocemente deixou a vida artística no auge para se dedicar à vida conjugal com aquele que fora seu namorado na adolescência e o grande amor de sua vida, José Edwards Gomes Chacon, um funcionário da Petrobrás, com o qual teve dois filhos, Cristiane e Eduardo e dois netos, Gustavo (filho de Cristiane) e Henrique (filho de Eduardo).  

Depois de casada, esporadicamente ainda fazia alguns shows, bem como participou do Festival de Música Popular em Juiz de Fora, em 1972 e de uma temporada no ano de 1975 na série Cuba-libre em Hi-Fi, da boate paulistana Igrejinha, ocasião em que se apresentou ao lado de outros artistas de sua época, como seu irmão Tony, Carlos Gonzaga, Ronnie Cord, George Friedman, Baby Santiago e Dan Rockabilly. Em 1975 e 1976 teve seu grande sucesso “Estúpido Cupido” servido de tema e inspiração da inesquecível telenovela homônima, pela TV Globo, tendo participado com uma gravação especial. 

Talvez pudesse reiniciar sua linda carreira musical, porém, com o término da telenovela, não teve sequência com a retomada do sucesso alcançado. Em 1996, juntamente com seu irmão, foi agraciada com o Titulo de “Cidadã Taubateana” pela Câmara Municipal de Taubaté, ocasião em que tive a grande honra de representar a Polícia Militar do Estado de São Paulo nesse evento. 

Nesse mesmo ano Celly descobriu que havia contraído um câncer de mama. Sua luta que anteriormente era para brilhar e alcançar o estrelado, agora se voltava para vencer uma batalha que sabia ser terrível e que não a deixaria sossegada. Lutou contra esse mal durante muito tempo, e, internada há vinte dias no Hospital Samaritano de Campinas, a luta desigual tinha chegado ao seu trágico final, com seu falecimento aos 60 anos, ocorrido no dia 03 de março de 2003, uma segunda-feira de carnaval. 

Ao sepultamento compareceu grande número de pessoas, dentre eles sua querida mãe, dona Idea, com 92 anos de idade e irmãos, além de grande número de fãs e amigos. Nossa sempre saudosa, eterna e querida Celly, está sepultada no Cemitério Flamboyant, em Campinas. Requiescat in pace, Eterna Rainha do Rock Brasileiro.
 
 
PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
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