domingo, 2 de novembro de 2014

MARIA DE NAZARETH REYS MARENGO (25)





 
CANTORA


UMA ESTRELA NOS CÉUS DE TAUBATÉ.

Taubaté é uma cidade que pode ser considerada pródiga em ter entre seus habitantes aqui nascidos ou não, artistas ilustres. A homenagem que se presta recai sobre uma cantora da áurea época do rádio brasileiro dos anos 30 e 40, a única a imitar com perfeição Carmen Miranda, “A Pequena Notável”. Nascia no bairro da Liberdade em São Paulo, aos 27 de fevereiro de 1914, Maria de Nazareth Reys, que mais tarde se tornando cantora seria conhecida artisticamente como Sônia Carvalho, nome este em homenagem a dois grandes amigos, a também cantora Sônia Barreto e ao compositor Joubert de Carvalho.

                                                                                                                                
                            SÔNIA BARRETO                                                                                                                              JOUBERT DE CARVALHO

No Rio de Janeiro trabalharia na RCA Victor, substituindo Carmen Miranda que se transferira para a Odeon. Em 1936 seria uma das cantoras convidadas a inaugurar a Rádio Nacional do Rio de Janeiro e por duas vezes foi eleita a Rainha do Rádio Paulistano. Em seu repertório inclui músicas dos compositores Ari Barroso, André Filho e Assis Valente, sendo deste último a interpretação de “A Infelicidade me Persegue”, com coro de Aracy de Almeida e Orlando Silva, uma beleza de samba e seu grande sucesso. Aliás, uma das músicas preferidas de Francisco Alves, que quando a via nos corredores da gravadora RCA Victor, dizia: “Olha aí a garota que gravou a Infelicidade me Persegue”.

Em 29 de julho de 1937 casa-se com Bruno Marengo, um industrial que mais tarde viria a gerenciar a Companhia Fabril de Juta de Taubaté. Em razão de seu casamento, Sônia Carvalho abandonaria a carreira de cantora e se dedicaria à sua família. Adotaria Taubaté como a cidade de seu coração e aqui permaneceria até o ultimo dia de sua vida. Como pianista de primeira grandeza, viveu momentos de ternura executando canções românticas que encantava a todos, principalmente e como lembrança infinda nas noites de natais com sua família. 

Em 1939, procurada pelo então desconhecido Antonio Gonçalves Sobral a quem fora indicada para auxiliá-lo em procedimentos de canto, Sônia Carvalho ficaria deslumbrada com aquela portentosa voz, tendo-o recomendado ao então diretor da Rádio São Paulo, maestro Gabriel Migliori, inclusive rebatizando-o como Nelson Gonçalves, mais tarde considerado dono da voz mais bonita do Brasil. 

A VOZ MAIS LINDA DO BRASIL

Toda sua obra encontra-se preservada e em processo de elaboração para publicação do conteúdo. Em 11 de maio de 1988, uma quarta feira do outono brasileiro, Sônia Carvalho viria a falecer em sua residência em Taubaté-SP, deixando marido e dois filhos, Roberto Marengo e Carlos Alberto, os grandes amores de sua vida e que compunham uma família feliz. Deixou um legado enorme para a música popular brasileira e uma saudade sem fim. Está sepultada no Cemitério da Venerável Ordem Terceira, em Taubaté, no Jazigo da Família Marengo. 

 CEMITÉRIO DA VENERÁVEL ORDEM TERCEIRA - ANEXO AO CONVENTO SANTA CLARA 


PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
cfgilberto@yahoo.com.br






sexta-feira, 31 de outubro de 2014

DANILO BATISTA (71)








     BOXEADOR




O TAUBATEANO QUE DISPUTOU O MUNDIAL DOS GALOS

 
Taubaté pode se orgulhar de ter entre seus filhos, um Campeão Peso Galo Paulista, Brasileiro e Sul-Americano. Danilo Batista era seu nome, filho de Dirce Angélica, tendo nascido aos 28 de maio de 1952, às 09.00 horas em sua residência, sita à Rua Expedicionário José Antonio Moreira, nº 89, no Bairro do Bom Conselho. Recebeu o batismo no Santuário de Santa Terezinha, em Taubaté, pelas mãos do Cônego Cícero de Alvarenga no dia 17 de setembro de 1952, uma quarta feira do crepúsculo do inversno brasileiro. 

A BUCÓLICA TAUBATÉ NA DÉCADA DE 50

Tempos depois, ainda menino mudaria para São Paulo e passaria a trabalhar nas feiras livres das adjacências de Osasco. E, justamente nessas feiras, aconteceriam as brigas entre meninos moradores do bairro e os meninos feirantes. Era briga diariamente e nos mais variados tipos, no braço, com pedras, paus e correntes. Dessa forma, dos onze aos dezessete anos Danilo enfrentaria o seu dia-a-dia. 

Por esse motivo entraria em uma Academia de Boxe, o Clube Esportivo da Penha e a partir de então passaria a ser respeitado. Despedido pelo patrão que não concordava em dispensá-lo para treinar, decididamente o boxe passaria a fazer parte de sua vida. No final da década de 60 se destacaria na “Forja de Campões” o que o levaria a participar dos Jogos Panamericanos de Cali, na Colômbia, em 1971, sob o comando de Newton Campos.

Em 30 de janeiro de 1973 contrairia matrimônio com Maria Aparecida Matias e com ela teria dois filhos. Para ser o Campeão Paulista e Brasileiro foi tudo muito rápido. Tão rápido que em 19 de agosto de 1977 venceria o argentino Félix Gonzalez em São Paulo, tornando-se Campeão Sul-americano. Dois meses depois, classificando-se em 6º do ranking do Conselho Mundial de Boxe desafiaria o Campeão Mundial, o mexicano Carlos Zarate para disputa do título de Peso Galo no “Fabuloso” Forum, em Inglewood, Califórnia. 


                                    O ANÚNCIO DA GRANDE LUTA.                               


O TÃO ESPERADO MOMENTO CONTRA ZARATE.


Kaled Curi seu técnico, acompanhava e confiava em Danilo que estava preparado para essa luta. Como ele mesmo afirmara “... não tenho nada a perder, o mexicano deve ser bom, mas não é melhor que eu duas, três vezes. Sendo assim, dá para encarar”. 

 
O CAMPEÃO MEXICANO CARLOS ZARATE


Entretanto, suas maiores lutas, seriam contra a balança em busca do peso ideal, pela falta de experiência internacional e diante de 14.094 espectadores torcendo contra. Danilo foi mais que um bravo ao impor-se do 1º ao 5º assalto de maneira destemida e com muita técnica, atacando Zarate várias vezes, levando-o à corda. Tinha a certeza de aquela luta seria a grande chance de ganhar o título mundial, entretanto, no 6º assalto a 1.33’ caiu castigado por três golpes consecutivos de Zarate. Levantando-se ao contar do juiz, este dá por encerrada a luta com vitória do mexicano. Continuou sua vida de boxeador até 1995, quando abandonaria as luvas. 


 A FATÍDICA E INESPERADA QUEDA

Faleceu em outubro de 2009, aos 57 anos. Nosso respeito e nossa gratidão por tudo que representou para nossa cidade, principalmente quando dizia "... Todo mundo pensa que sou nortista, mas sou natural de Taubaté com muito orgulho...". Descansa em paz, Grande Campeão!



PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
cfgilberto@yahoo.com.br

JOSÉ LUIZ DOS SANTOS - (70)








VELHICE, UM ATRIBUTO DA GLÓRIA.



Há uma máxima que diz que o destino dos homens depende, efetivamente, menos deles mesmos do que do círculo em que surgem e se manifestam. Dessa forma, nesta edição, abordo sobre José Luiz dos Santos, natural de São Luiz do Paraitinga, neste Estado, tendo nascido aos 30 de Janeiro de 1927 e filho de lavradores naquele município. Não foi uma pessoa letrada, muito pelo contrário, sua infância foi toda ela voltada para o trabalho, para a difícil conclusão dos estudos primários, e a enfrentar, aos 14 anos de idade, a orfandade em razão do falecimento de sua mãe. No distante ano de 1945 e em plena 2ª Guerra Mundial muda-se para Taubaté, onde tem início seus grandes feitos. Eles estão registrados nos arquivos do progresso histórico de nossa região e de nosso Brasil, quando, como simples operário ajudou a construir a primeira pista da Rodovia Presidente Dutra, inaugurada em 19 de janeiro de 1951.
 
PLACA ALUSIVA À INAUGURAÇÃO DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA

 
Finda a primeira jornada, ingressou na Rede Ferroviária Federal S.A. para a reconstrução da nova malha viária entre São Paulo e Rio de Janeiro, mais precisamente no trecho compreendido entre Taubaté e Pindamonhangaba, com início e construção da famosa “Ponte Seca” na Vila São Geraldo. Como ele mesmo diz, era um trabalho árduo e muito perigoso, tendo certo dia, se acidentado gravemente com a queda de um dormente sobre sua mão direita, causando-lhe séria lesão, e, em consequência desse incidente, um portador de problema físico permanente. 

Tive o prazer em conhecê-lo, no final da década de 50. Pessoa da mais digna retidão, honrado, pai e marido exemplar, constituiu uma família feliz ao lado de numerosa prole de 15 filhos, 28 netos e 12 bisnetos. Seis de seus filhos ficariam para trás pelos desígnios do destino, como nordestinos que abandonam suas terras ante o flagelo da seca. Tempos depois, deixamos de nos comunicar como fazíamos. Era aquele negócio, apareça! Passaram-se os anos, vivenciamos as inevitáveis separações dos nossos filhos para seguirem seus destinos e contemplamos o amanhã como um momento mágico em nossas vidas. 

Assim, o dia do reencontro aconteceu. No sábado de carnaval fui visitá-lo em sua casa na Vila Marli. Reconhecendo-me, recebeu-me com alegria incontida, caminhando a passos lentos e apoiado em sua bengala, alquebrado que estava pelos oitenta e sete anos de lutas, com os cabelos marcados pela neve do tempo e com rugas determinando a longevidade. 

Quanta saudade e quantas palavras que não consegui pronunciar pela emoção ao reencontrá-lo! Em seu olhar cansado e profundo, lembrei-me daquele coração generoso e daquele sorriso sempre sincero. Sua vida constitui, na verdade, uma perfeita e extensa lição de sabedoria e sua velhice é um dos mais altos e nobres atributos da glória. Aquela é o complemento desta. Assim, homens como José Luiz recebem a ancianidade gloriosa como o mais belo prêmio da vida. Muitas felicidades, amigo! Deus o abençoe.


PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
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sábado, 2 de agosto de 2014

CEMITÉRIO DE PISTOIA - (69)






CEMITÉRIO DE PISTOIA.



VIVERAM COM RAZÃO E MORRERAM PELA PÁTRIA.



“Pracinhas da Força Expedicionária Brasileira, vós sois os mais bem-vindos soldados da Terra, pois que sois os nossos soldados. Perdoai não vos terem deixados marchar, em nome da emoção que a vossa volta nos causou. Estais finalmente em casa e isso nos entusiasma, porque voltastes para participar também da grande marcha do Brasil para a democracia. Honra, e mais honra, e muita honra – que a honra é vossa! Honra a vós atacantes de Castelnuovo, Monte Castelo e Montese, que propiciastes a vitória da democracia fora e dentro de nosso país! Honra a vós homens do povo do Brasil que enfrentastes na neve o fogo do ódio inimigo! Honra, e mais honra, e honra ainda! A cidade vos recebe como os mais queridos filhos. Sede bem-vindos,  pois que sois os mais bem-vindos de todos os soldados de todas as Pátrias, filhos deste solo pacífico, que vistes a morte de face, e que retornastes para uma Pátria feita mais consciente. Bem-vindos pracinhas do Brasil”.

Este fora o discurso proferido pelo jovem Vinícius de Moraes quando da volta da Força Expedicionária Brasileira. Entretanto, muitos deles não voltaram! Dia 18 de julho comemoramos 69 anos de seus regressos, mas nossas homenagens serão eternas aos Heróis da 2ª Guerra Mundial e aos que não tiveram a glória maior de receber o abraço de seus familiares como tantos outros que chegaram às lágrimas no Dia do Reencontro ocorrido naquela data em 1945, no Rio de Janeiro. 


RECEPÇÃO À TROPA DA FEB.




 O AGUARDADO MOMENTO DO REENCONTRO.        
                                                                                                                                                          

Dos heróis mortos que permaneceram sepultados no Cemitério de Pistoia, na Itália, 25 deles eram da região do Vale do Paraíba Paulista e dentre estes, 4 eram taubateanos.
Nossas homenagens a todos aqueles que tombaram no cumprimento do dever, como os valeparaibanos, Sargentos Basileo Nogueira da Costa (Paraibuna), Geraldo Berti (Caçapava), Rubens Leite (Taubaté), João Lopes Filho (Cruzeiro), João Soares de Faria (Lorena) José Rodrigues Filho (Cruzeiro), Cabo Eliseu Pinhal, (Natividade da Serra) e Soldados Benedito Eliseu dos Santos (São Luís do Paraitinga), Benedito Patrício (Guaratinguetá), Genésio Valentim Corrêa (Piquete), Geraldo Augusto dos Santos (Caçapava), João Américo da Silva (Jacareí), José Alves de Abreu (Caçapava), José Antônio Moreira (Taubaté), José Fernandes (Pindamonhangaba), José Leite da Silva (São José dos Campos), Antônio Bento de Abreu (São Bento do Sapucaí), José Pires Barbosa Filho (Cruzeiro), José Vicente de Paula (Taubaté), Manoel Francisco Gomes (São José do Barreiro), Roberto Marcondes (Pindamonhangaba), Sebastião Felício (São José do Barreiro), Teodoro Francisco Ribeiro (Taubaté), Vicente Batista (São José dos Campos) e Benedito Alves dos Santos (Caçapava).  Ofertando suas vidas em prol de uma Pátria livre e soberana, deixaram perpetuadas antigas lições que nos quartéis lhes ensinaram: “Morrer pela Pátria não é viver sem razão”.


 
PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR.
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segunda-feira, 30 de junho de 2014

ARMANDO MARQUES DA SILVA - (66)



                                 



PELÉ: POR UM DIA, GUARDA DE TRÂNSITO EM TAUBATÉ








Na década de setenta, a Quarta Companhia de Trânsito do 5º Batalhão de Polícia Militar do Interior, era a responsável pelo trânsito em nossa cidade. Naquela época as placas dos veículos eram identificadas contendo duas letras e seis números, além de uma plaqueta ao lado da primeira letra que, identificada pela cor, determinava se o veículo estava licenciado ou não. Algum tempo depois, passariam para duas letras e quatro números e com o vencimento de cada licença pelo número final da placa. Não existiam calçadões e a Praça Dom Epaminondas tinha seu traçado arredondado e com estacionamento livre em toda sua área. Tudo muito simples e prático para uma cidade repleta de ruas estreitas e de um trânsito bem desordenado, disputado por pedestres, ônibus, caminhões, automóveis, motocicletas, vespas, lambretas, bicicletas, carroças, charretes e cavaleiros. 

UM ESTACIONAMENTO LIVRE NA PRAÇA DOM EPAMINONDAS.

Para o serviço de fiscalização de trânsito, quarenta policiais se revezavam em três turnos e eram escalados em setores previamente anunciados. Policiais militares competentes e bem treinados controlavam com galhardia o trânsito, auxiliando crianças e idosos na travessia de locais perigosos e substituindo semáforos sempre que necessário. Também nessa mesma época a Companhia Aérea Cruzeiro do Sul avançava em sua área de propaganda e marketing anunciando, dentre outras, a figura de um policial militar da Bahia em suas atividades de policial de trânsito. Seu nome, Armando Marques da Silva, o famoso “Guarda Pelé”, e que, posteriormente à sua destacada atuação nos locais de difíceis soluções na capital, Salvador, como na Avenida Sete de Setembro, na Rua Chile ou na Baixa do Sapateiro, passou a ser requisitado para apresentações em todas as capitais e cidades brasileiras e até mesmo no exterior, como nos Estados Unidos, convidado que fora para atuar nas ruas de Nova York. A partir de então passou a ser chamado por Armando Marques da Silva Show. 

Guarda Pelé como adiante iremos tratá-lo se apresentou em Taubaté no ano de 1976, como convidado da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Fomos escalados com o intuito de recepcioná-lo, prestigiá-lo e ajudá-lo no que fosse possível em sua atuação como soldado da Polícia Militar da Bahia. Os cruzamentos das Ruas Visconde do Rio Branco com Chiquinha de Mattos e esta com a Av. Dr. Granadeiro Guimarães foram os locais escolhidos pela PM de Taubaté, bem como no horário de maior movimento, 11 horas. Com gestos nunca vistos empreendidos, se utilizou dos silvos em harmonia com os movimentos rápidos e sincronizados dos braços e pernas. O que se viu foi uma aglomeração de pessoas para vê-lo atuar diante de um trânsito "disputadíssimo" entre todos os veículos citados acima, notadamente quando apareceram repentinamente e para sua infelicidade, duas carroças na Rua Bispo Rodovalho e seus condutores não entenderam toda aquela movimentação. 

Sua atuação tinha como ponto determinante os movimentos da Ordem Unida Militar, como as posições de sentido, descansar, direita e esquerda, oitava à esquerda e direita e meia volta, mas, sempre voltado aos movimentos coreográficos de braços e pernas por ele inventados e interpretados. Entretanto, o objetivo proposto por uma fluidez rápida do trânsito não fora atingido. Apenas a passagem ordenada e confiante dos transeuntes fora o realce daquela apresentação, combinando com sua simpatia, educação e a maneira alegre de ser do bom baiano que era. Porém, um verdadeiro show de gestos espalhafatosos e que pouco disciplinara o trânsito. Mas, sem nenhuma dúvida engrandeceu Taubaté com sua presença e com um show de coreografia e risos entre os espectadores. Guarda Pelé teve a grande honra em sua vida de ser condecorado em Londres, pela Scotland Yard com o “Apito de Ouro”, observado que foi pela Rainha Elizabeth em uma de suas apresentações. 

 COREOGRAFIAS NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE SALVADOR

No início deste ano, aos 76 anos de idade, teve sua biografia lançada pela Assembleia Legislativa de Salvador, Coleção “Gente da Bahia”, através do livro “Guarda Pelé – Armando Marques da Silva Show”, de autoria do historiador e Capitão da PMEBA Raimundo Marins. Dominado pela emoção, faltaram-lhe palavras para agradecer a homenagem recebida, porém, se superou ao encontrar forças para ensaiar algumas das coreografias que o consagraram como o “Guarda Pelé”, o Pelé do Trânsito.


PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
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quinta-feira, 22 de maio de 2014

JOSÉ DA SILVEIRA - (62)





 
FUTEBOLISTA






UM HOMEM, UM EXEMPLO DE VIDA.


No dia 12 de outubro de 1931, uma segunda feira da primavera brasileira, a pequena localidade de Fama, ainda Distrito de Paraguaçu e localizada no sul do Estado de Minas Gerais, dava as boas vindas ao seu mais novo habitante. Nascia José da Silveira, filho de Bartolomeu da Silveira e de Alzira Bruno da Silveira. Seu pai, um competente alfaiate, de conduta ilibada e pessoa muito querida por todos, era o sustentáculo daquela família. Como fato curioso, por ter seu filho nascido no dia e mês do Descobrimento da América, entendera por bem homenagear essa data histórica atribuindo-lhe o nome de José Américo da Silveira. Entretanto, por um lapso, o nome de registro daquela criança saíra José da Silveira. Como não fora possível registrá-la como era o pretendido, o nome de Américo permaneceu durante sua vida, cognominando-se como Zé Américo. 

Mais tarde sua família mudou-se para a cidade de Lorena, no Vale do Paraíba Paulista. Ali iniciou seus estudos no Grupo Escolar Conde Moreira Lima, encerrando-os após conclusão do 4º ano primário. Zé Américo teve uma infância como todas as crianças de sua época, com muita alegria, com muito respeito para com os mais velhos e, principalmente, com muito amor e carinho de seus pais. Entretanto, o futebol começava a entrar em sua vida e desenhar toda uma trajetória de sucesso futebolístico. Depois da conclusão de seus estudos passou a frequentar o tradicional Colégio São Joaquim, então, importante Órgão de Ensino voltado para as vocações religiosas e particularmente à vida religiosa Salesiana, mas que, ao final da década de 40, reabriria suas atividades voltadas para o aluno comum.

Com essa medida, reabririam também seus portões todas as tardes para o entretenimento desportivo. Eram as famosas "peladas" e Zé Américo, então com pouco mais de quinze anos e não estando matriculado regularmente, ainda assim participava com os alunos, das atividades praticadas. Despertando a atenção dos “olheiros da época”, pouco tempo depois iniciaria suas atividades futebolísticas no Hepacaré de Lorena, defendendo esse clube de 1947 a 1950. Com o Serviço Militar obrigatório apresentou-se no 5º Regimento de Infantaria onde cumpriu com seu dever cívico e patriótico. 

Após, transferiu-se para a Esportiva de Guaratinguetá, lá permanecendo até 1953. Em virtude de ter a “Vermelhinha” como era chamado aquele clube de Guaratinguetá-SP, desistido de disputar o Campeonato Paulista da 2ª Divisão, em 1954, resolveu transferir-se para outra agremiação. No início desse mesmo ano, sua mãe o chamou e lhe disse: “Zé, veio um homem aqui em casa e queria falar com você”. No mesmo dia esse homem reaparecia para falar-lhe. Era Joaquim de Morais Filho, Presidente do Esporte Clube Taubaté e que ao chegar a sua casa lhe disse: “Zé Américo, vim buscar você para jogar no E.C. Taubaté. Vamos embora comigo”. E Zé Américo, naquele preciso instante despedindo-se de sua família, foi para Taubaté, importante centro industrial do Vale do Paraíba Paulista para enfrentar o maior desafio de sua vida: disputar a 2ª Divisão de Profissionais e subir para a Primeira Divisão do Campeonato Paulista de Futebol. E dessa forma, aquele rapaz de caráter introvertido, apresentou-se ao seu novo clube para disputar o Campeonato Paulista de Acesso de 1953, entretanto, não conseguindo o tão almejado acesso. 


 
     SUA GRANDE PAIXÃO


Contou-me Zé Américo que no início de 1954, todo o plantel profissional se reuniu no Campo do Esporte Clube Taubaté, no velho Campo do Bosque, e, na presença daquele mesmo dirigente que outrora fora buscá-lo em Lorena, expôs a todos seus pensamentos, advertindo-os de maneira pouco amistosa e rude: “Ou nós ganhamos esse campeonato e subimos ou então vocês estarão desempregados e no olho da rua”. Não deu outra. Com essa “injeção de ânimo ameaçadora” o Esporte Clube Taubaté se sagraria Campeão Paulista da Divisão de Acesso e disputaria o Campeonato Paulista de 1955 ao lado dos grandes clubes de São Paulo.


 


Em Taubaté, Zé Américo se ambientaria rapidamente, tanto pelo caráter reservado de que sempre fora possuidor, quanto pelo carinho demonstrado pelos torcedores do Alvi Azul. Também em Taubaté viria a constituir sua família em 27 de janeiro de 1955, data em que contrairia matrimônio com Eunice Marcondes, conforme consta de sua Certidão de Casamento sob nº 4826, Folhas 26, Livro B-32, tendo a contraente passado a chamar-se Eunice Marcondes da Silveira. Sua esposa foi uma dedicada funcionária do Hospital Santa Isabel de Taubaté, tendo se aposentado em 1974. Tiveram quatro filhos, Antonio Fernando da Silveira, Gino da Silveira, João Carlos da Silveira e Elaine da Silveira, os quais lhes presentearam com oito lindos netinhos. 



                                                                                                     UM CASAL FELIZ.

Zé Américo defendeu o Esporte Clube Taubaté de 1953 a 1962 vivendo páginas de glórias em sua vida, como ele mesmo se recorda quando do jogo entre E.C. Taubaté e Santos Futebol Clube, realizado no dia 05 de outubro de 1958. Naquela ocasião Aimoré Moreira, técnico do Taubaté, durante a palestra com os jogadores nos vestiários, chamou-o e lhe disse: "...você vai jogar com a camisa 7 e vai marcar Zito, porque a força do Santos está no meio campo". Ao final daquela partida não dera nenhuma chance nem a Zito, bem como fora o autor de dois gols do E.C. Taubaté. Também viveu momentos de tristezas e decepções, como o fatídico rebaixamento em 1962. Depois atuou pelo São Bento de Sorocaba e pelo Barra Mansa do Rio de Janeiro. 


Gardel, Mexicano, Ivan, Henrique, Celso e Martin;
                                                                                                                    Jorge Coutinho, Darci, Zé Américo, Sabará, Miro e Noca.


Posteriormente, transferiu-se para o arqui rival do Burro da Central, o Esporte Clube São José, clube onde fez sua estreia num amistoso contra o Corinthians e que terminaria empatado em 3 a 3. Naquela oportunidade assim constavam os dados da partida:

Data: 21/04/1964 (Feriado Nacional). Local: Estádio Martins Pereira (antigo estádio situado na Rua Antonio Saes). Jogo amistoso de inauguração dos refletores. Renda: Cr$6.250.000,00. Árbitro: Carlos Drumond da Costa. Gols do 1º Tempo: Ferretti (aos 7), Marcos (aos 11), Ferretti (aos 30) e Geraldo (aos 39); Gols do 2º Tempo: Flávio (aos 2) e Ferretti (aos 27).

Esporte Clube São José: Gallo; Adhemar Alves, Alemão e Can Can; Carlinhos e Dias (Zé Américo); Bolacha, Ferretti, Zé Luiz (Adaílson), Marinho e Valdir. Técnico Diede José Gomes Lameiro.

Sport Club Corinthians Paulista: Heitor, Jorge, Daut (Cláudio) e Edson; Dino Sani (Amaro) e Clóvis; Marcos, Rivelino, Flávio, Nei (Bazzani) e Geraldo. Técnico: Oswaldo Brandão.

Em 1965 sagrou-se campeão da 2ª Divisão de Profissionais e com direito de disputar o Campeonato Paulista da Primeira Divisão do mesmo ano, bem como viu nascer dois grandes goleiros do Brasil, Sérgio Valentin o “São Sérgio” e Emerson Leão, atuando ao lado de ambos nos anos de 1965 e 1966. Nesse clube teve a glória de ser considerado o “4 de ouro”, pois, foi o ponto de equilíbrio do time e que garantiria o acesso naquele ano. Depois de encerrada a carreira futebolística, prestou concurso público para o Fórum de Taubaté, sendo aprovado em todos os exames escritos e orais a que foi submetido, entretanto, ficou retido quando dos exames médicos sendo constatado ser possuidor de “pressão alta”. Coisas do destino, pois, atuara como jogador de futebol profissional por vinte anos e nunca sentira nada. 

Porém, aquele velho amigo e antigo dirigente que um dia do início do ano de 1953 lhe abriu as portas para o sucesso, mais uma vez não o deixaria desempregado. Zé Américo passaria a trabalhar no Cartório de Registro Civil de propriedade daquele dirigente por vários anos. Hoje, prestes a completar 82 anos de idade, Zé Américo vive sua vida de maneira tranquila na cidade de Taubaté, onde reside à Rua Falcão Filho nº 29, na Vila Edmundo em Taubaté-SP, bem ao lado do Estádio Joaquim de Morais Filho. Apesar dos problemas clínicos enfrentados por sua esposa Eunice, a qual é portadora do Mal de Alzheimer e do Mal de Parkinson.

Zé Américo é um homem tranquilo e feliz, com um coração do tamanho de sua bondade infinita, respeitador, leal, aquele grande e importante amigo e que dificilmente encontramos nos dias de hoje, palmeirense bem ao estilo do verdão antigo, sempre vivendo rodeado de pessoas queridas, e o mais importante, contando com a ternura de seus familiares e as bênçãos do Todo-poderoso. Seja sempre feliz, Zé Américo. São os desejos de todos aqueles que lhe querem bem.

 
PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.

cfgilberto@yahoo.com.br