terça-feira, 4 de novembro de 2014

CHARLOT ODSON - (74)







    ARTISTA PLÁSTICO





QUANDO A ARTE VENCE OS DRAMAS DA VIDA.



"L'UION FAIT LA FORCE"  -  (A UNIÃO FAZ A FORÇA)


ORIGENS
Habitualmente em minhas crônicas, procuro enaltecer pessoas ilustres de nossa querida Taubaté, sejam elas nascidas aqui ou não mas que de alguma forma significativa, construíram e deixaram um legado para gerações atuais e vindouras. Desta vez, estendo minhas considerações sobre uma pessoa oriunda de uma pequena porção ocidental da Ilha de Hispaniola, no Arquipélago das Grandes Antilhas e na qual partilha com a República Dominicana.




Seu país, Haiti. Nasceu na localidade de Mirebalais, aos 11 de fevereiro de 1973, sendo filho de Marcelin Antoine e Charlot Carmene. Apresento-o como Charlot Odson, porém, para nós brasileiros, Odson Charlot, 41 anos, um artista plástico formado pela Academia de Belas Artes do Haiti e radicado no Brasil desde novembro de 2012, quando aqui se instalou para expor suas obras de arte em pintura e difundi-las, como fizera nos Estados Unidos, França e Bélgica. Casado com Marie Bettie Murat, tem quatro filhos, Sharlamptz-Tong de 12 anos, as meninas Betchre Witney de 9 e Leihenin-Lhi de 6 e o caçula Hud-Shenn, de 1 ano e 7 meses. Com exceção do caçula, todos estão matriculados e estudando em nossa cidade. 

                 
      UMA FAMÍLIA UNIDA E FELIZ

Em seu país, por ocasião da Missão de Paz das Nações Unidas, conheceria um militar que contribuiria de maneira significativa para a mudança e o rumo de sua vida radicalmente. Ajudando-o e estendo-lhe as mãos como se fosse um conselheiro ou o irmão mais velho,  orientou-o e apoiou-o e nos momentos cruciais por quais passava. Seu nome, Jean Carlos de Oliveira, um Subtenente do Exército Brasileiro. Naquela Missão de Paz, quando das ações em conjunto de 16 países, dentre eles o Brasil, e de uma força-tarefa de de um contingente de 6.700 homens. "Alea jacta est" (a sorte está lançada), seria a frase determinante em toda sua vida de artista plástico, quando aos 12 anos de idade abraçara a arte de pintar como parte integrante de sua alma. 

EXÉRCITO BRASILEIRO EM SUA HUMANITÁRIA E LOUVÁVEL MISSÃO NO HAITI


E o encontro fora proporcionado um um momento inusitado, quando num sábado aquele militar visitava uma feira  onde se encontrava de tudo. Ali adquirira uma quadro de um vendedor, justamente ao lado de onde Odson Charlot expunha seus trabalhos. Uma semana após, o Subtenente Jean voltara àquela feira para trocar o produto adquirido por outro de menor tamanho, ocasião em que fora cientificado que a troca somente poderia ser efetuada com o pagamento do novo produto. Charlot, percebendo que diante daquele procedimento aquele freguês poderia não mais se interessar por obras de arte, incontinenti, se ofereceu para efetuar a troca por um de seus quadros e sem nenhum ônus. Aquele momento mágico determinado por dois seres humanos, selaria para sempre uma amizade sincera e leal. Jean, foi o ombro amigo na ajuda pelo reerguimento de sua vida profissional, desde a saída de seu país até encontrar a sempre querida e hospitaleira Taubaté, a cidade que lhe proporcionaria novamente a vontade de viver. Quando cumprida sua tarefa como militar naquele país, Jean prometera a seu amigo que venderia seus quadros no Brasil e remeteria o valor arrecadado para sua conta no Haiti. Prometera e cumprira. Tempos mais tarde Odson Charlot se aportaria em Taubaté e, com o inesquecível amigo ao seu lado, seria início uma nova vida, uma vida de certezas e de esperanças. Aqui também encontraria grandes amigos como os irmãos José e Juarez Lopes Silva, pessoas maravilhosas e portadoras de um coração benevolente, sempre prontos para ajudarem seus semelhantes e para solução dos seus problemas, bem como a colaboração constante e precisa da Fundação Osvaldo Goeldi, de Taubaté. Haiti vai se reerguendo da catástrofe ocorrida daquela triste tarde, mais precisamente às 16.53 horas do dia 12 de janeiro de 2010, quando, atingido por um terremoto de proporções gigantescas com 7.3 da escala Richter, causou a maior tragédia já registrada nas Américas, com mais de 200 mil mortos e 3 milhões de desabrigados. Nesse episódio perderia sua casa e seu atelier. Entretanto, era preciso continuar a viver e ter a esperança de um novo recomeço. Porém, Odson Charlot não consegue esquecer de seu Haiti, não sendo possível apagar os momentos de felicidade que viveu em seus país, dos amigos que lá deixou e daqueles que ficaram para trás nos caminhos do destino. Ocupa as funções de presidente da Associação Franco-Haitiana, supervisionada pela Association les enfants a l’école  para o trabalho sócio-educativo-cultural, mas, fundamentalmente voltada para a educação infantil. 

                                                           
QUADRO  -  HAITI DE HOJE
 INSPIRAÇÃO, IMAGINAÇÃO E AMOR EM SEUS QUADROS


Direciona sua arte em pintura para o abstrato e ao surrealista. Em 2003, como afirma, estava produzindo um quadro com a história de seu país, momento em que seus instintos foram direcionados e conduzidos para a concretização de uma paisagem em que o país era abalado por um terremoto de grandes proporções, o que viria a se concretizar e de triste lembranças 7 anos depois. Segundo ele, era a manifestação Divina guiando suas mãos. Seus quadros levam-nos a compreender a magnitude de sua paixão pela pintura.

BRASIL, PÁTRIA ABENÇOADA

Em silêncio profundo e com lágrimas, fala um pouco sobre o povo brasileiro, muito cooperativo, simpático, maravilhoso, amigo e hospitaleiro. Verdadeiros irmãos! Como ele mesmo define, é um povo diferente e com muito amor. Odson Charlot tem visto de permanência regularizado em nosso país. Conheci-o através de meus amigos, os irmãos Lopes Silva e desde então tenho percebido tratar-se de pessoa imbuída dos mais altos propósitos de perseverança naquilo que desenpenha e de conduta ilibada em seus negócios. É uma pessoa voltada para o bem de sua família, para os que lhe são caros e, principalmente para o Brasil, país bendito que um dia o acolheu. Suas obras encontram-se expostas no Taubaté Shopping até de 09 a 15/6, e após, com exposição da Câmara Municipal de Taubaté. Seja bem vindo Odson Charlot, utilizando-se de seu visto de permanência em nosso país como a extensão de seu coração maravilhoso!


GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
cfgilberto@yahoo.com.br






segunda-feira, 3 de novembro de 2014

PÉRICLES NOGUEIRA SANTOS - (73)




EXEMPLO DE PATRIOTISMO




O POETA DA SAUDADE.




Taubaté é por excelência, berço de grandes vultos de nossa poesia. Mencioná-los, seria por demais comprometedor, visto que poderia omitir algum nome. Entretanto, manifesto-me sobre aquele que, sem sombra de dúvidas, deixou-nos como legado, momentos para reflexão, exemplos de patriotismo e, acima de tudo, poesias repletas  de paz interior e de muito amor! Refiro-me ao poeta Péricles Nogueira Santos, natural de Paraibuna-SP, nascido aos 06 de setembro de 1916 e filho de Aurélio Silva Santos e de Maria Eugênia Nogueira. Ainda menino, aos 15 anos, engajado nas aspirações dos ideais paulistas quando da eclosão da Revolução Constitucionalista de 1932, sobressaiu-se desassombradamente com relevantes serviços prestados. Sua luta, como todos os que participaram daquela epopeia não fora em vão, pois, em 1934,  a Constituição Brasileira seria promulgada. 

Ingressou na Força Pública do Estado de São Paulo e no decorrer de uma caminhada difícil saiu-se vitorioso, apresentando uma extensa folha de ótimos serviços prestados, toda ela voltada para o bem estar de seu semelhante. Atingiu ao posto de Tenente Coronel quando de sua merecida aposentadoria. Como militar foi um espelho de exemplos de homem íntegro e honrado. Um policial de primeira grandeza!


  MOMENTO MÁGICO EM SUA CARREIRA: RECEBENDO O ESPADIM COMO  ASPIRANTE A OFICIAL.

Homem voltado aos estudos, cursou a Faculdade de Ciências Jurídicas de Taubaté em sua primeira turma, e nela, formou-se em 1º lugar.  Especializou-se em Português, em Literatura e em Direito do Trabalho. Como destacado professor, ministrou aulas no Colégio Olegário de Barros e nas Faculdades de Serviço Social e de Ciências Jurídicas.  

Durante sessenta anos, para nosso orgulho e satisfação residiu em nossa Taubaté, cidade que tanto amou. Constituiu sua família casando-se com a senhora Ignez Oliveira Santos, aquela que seria o grande amor de sua vida e advindo dessa sagrada união os abençoados e queridos filhos Válner, Kátia, Myriam e Márcio. Válner, seu eterno anjo, ficaria para trás, na estreita caminhada da vida. 

Como poeta, um homem dotado de um cérebro privilegiado de sua geração, não perdendo ele essa situação perante as gerações novas. Não envelheceu jamais em suas ideias, e, descendo o “Rio da Vida” derramava a cada dia, a água de sua bilha, para enchê-la de água nova, a água sempre fresca e repleta de conhecimentos da literatura para todas as gerações. São de sua autoria “Lâmpadas Votivas”, “Orações Pagãs”, “Coletânea de Poetas de Taubaté”, “Sol Pretérito” e “Poemas da Terra e do Infinito”, bem como a letra do Hino Oficial de Taubaté. Após seu falecimento, foram publicadas “Flautas Invisíveis” e “Esferas Transfinitas”. Como literato, ocupou a Cadeira nº 18 da Academia Taubateana de Letras. 

O poeta Péricles Nogueira Santos veio a falecer em Taubaté aos 27 de fevereiro de 2001, uma terça feira do verão brasileiro. Está sepultado no Cemitério da Venerável Ordem Terceira, anexo ao Convento Santa Clara, no jazigo da Família Nogueira Santos.

Como homenagem e gratidão, Taubaté dedicou a inscrição de seu nome à Escola Municipal de Educação Infantil Ten. Cel. Péricles Nogueira Santos, localizada na Praça São Paulo, na Vila São Geraldo, bem como Rua Ten. Cel. Péricles Nogueira Santos situada entre a Rua Inglaterra e Av. Walter Thaumaturgo, no Jardim das Nações. Em homenagem à sua memória, publico uma estrofe de sua poesia intitulada "VÁLNER",  um encanto de palavras mágicas vindas de um coração dilacerado pela dor e dedicada ao seu querido e terno filho:

 "...Hoje, resta-me apenas, que me alente,
fé excelsa em que um dia, novamente,    
possa tê-lo a sorrir nos braços meus...
 
E, enquanto esperarei, saudoso e aflito,
meu filho há de ficar, lá no infinito,  
guardado para mim nas mãos de Deus”.
 

                   
Requiescat in pace, Poeta da Saudade!

                                                               
                                          
PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
cfgilberto@yahoo.com.br
 

domingo, 2 de novembro de 2014

MARIA DE NAZARETH REYS MARENGO (25)





 
CANTORA


UMA ESTRELA NOS CÉUS DE TAUBATÉ.

Taubaté é uma cidade que pode ser considerada pródiga em ter entre seus habitantes aqui nascidos ou não, artistas ilustres. A homenagem que se presta recai sobre uma cantora da áurea época do rádio brasileiro dos anos 30 e 40, a única a imitar com perfeição Carmen Miranda, “A Pequena Notável”. Nascia no bairro da Liberdade em São Paulo, aos 27 de fevereiro de 1914, Maria de Nazareth Reys, que mais tarde se tornando cantora seria conhecida artisticamente como Sônia Carvalho, nome este em homenagem a dois grandes amigos, a também cantora Sônia Barreto e ao compositor Joubert de Carvalho.

                                                                                                                                
                            SÔNIA BARRETO                                                                                                                              JOUBERT DE CARVALHO

No Rio de Janeiro trabalharia na RCA Victor, substituindo Carmen Miranda que se transferira para a Odeon. Em 1936 seria uma das cantoras convidadas a inaugurar a Rádio Nacional do Rio de Janeiro e por duas vezes foi eleita a Rainha do Rádio Paulistano. Em seu repertório inclui músicas dos compositores Ari Barroso, André Filho e Assis Valente, sendo deste último a interpretação de “A Infelicidade me Persegue”, com coro de Aracy de Almeida e Orlando Silva, uma beleza de samba e seu grande sucesso. Aliás, uma das músicas preferidas de Francisco Alves, que quando a via nos corredores da gravadora RCA Victor, dizia: “Olha aí a garota que gravou a Infelicidade me Persegue”.

Em 29 de julho de 1937 casa-se com Bruno Marengo, um industrial que mais tarde viria a gerenciar a Companhia Fabril de Juta de Taubaté. Em razão de seu casamento, Sônia Carvalho abandonaria a carreira de cantora e se dedicaria à sua família. Adotaria Taubaté como a cidade de seu coração e aqui permaneceria até o ultimo dia de sua vida. Como pianista de primeira grandeza, viveu momentos de ternura executando canções românticas que encantava a todos, principalmente e como lembrança infinda nas noites de natais com sua família. 

Em 1939, procurada pelo então desconhecido Antonio Gonçalves Sobral a quem fora indicada para auxiliá-lo em procedimentos de canto, Sônia Carvalho ficaria deslumbrada com aquela portentosa voz, tendo-o recomendado ao então diretor da Rádio São Paulo, maestro Gabriel Migliori, inclusive rebatizando-o como Nelson Gonçalves, mais tarde considerado dono da voz mais bonita do Brasil. 

A VOZ MAIS LINDA DO BRASIL

Toda sua obra encontra-se preservada e em processo de elaboração para publicação do conteúdo. Em 11 de maio de 1988, uma quarta feira do outono brasileiro, Sônia Carvalho viria a falecer em sua residência em Taubaté-SP, deixando marido e dois filhos, Roberto Marengo e Carlos Alberto, os grandes amores de sua vida e que compunham uma família feliz. Deixou um legado enorme para a música popular brasileira e uma saudade sem fim. Está sepultada no Cemitério da Venerável Ordem Terceira, em Taubaté, no Jazigo da Família Marengo. 

 CEMITÉRIO DA VENERÁVEL ORDEM TERCEIRA - ANEXO AO CONVENTO SANTA CLARA 


PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
cfgilberto@yahoo.com.br






sexta-feira, 31 de outubro de 2014

DANILO BATISTA (71)








     BOXEADOR




O TAUBATEANO QUE DISPUTOU O MUNDIAL DOS GALOS

 
Taubaté pode se orgulhar de ter entre seus filhos, um Campeão Peso Galo Paulista, Brasileiro e Sul-Americano. Danilo Batista era seu nome, filho de Dirce Angélica, tendo nascido aos 28 de maio de 1952, às 09.00 horas em sua residência, sita à Rua Expedicionário José Antonio Moreira, nº 89, no Bairro do Bom Conselho. Recebeu o batismo no Santuário de Santa Terezinha, em Taubaté, pelas mãos do Cônego Cícero de Alvarenga no dia 17 de setembro de 1952, uma quarta feira do crepúsculo do inversno brasileiro. 

A BUCÓLICA TAUBATÉ NA DÉCADA DE 50

Tempos depois, ainda menino mudaria para São Paulo e passaria a trabalhar nas feiras livres das adjacências de Osasco. E, justamente nessas feiras, aconteceriam as brigas entre meninos moradores do bairro e os meninos feirantes. Era briga diariamente e nos mais variados tipos, no braço, com pedras, paus e correntes. Dessa forma, dos onze aos dezessete anos Danilo enfrentaria o seu dia-a-dia. 

Por esse motivo entraria em uma Academia de Boxe, o Clube Esportivo da Penha e a partir de então passaria a ser respeitado. Despedido pelo patrão que não concordava em dispensá-lo para treinar, decididamente o boxe passaria a fazer parte de sua vida. No final da década de 60 se destacaria na “Forja de Campões” o que o levaria a participar dos Jogos Panamericanos de Cali, na Colômbia, em 1971, sob o comando de Newton Campos.

Em 30 de janeiro de 1973 contrairia matrimônio com Maria Aparecida Matias e com ela teria dois filhos. Para ser o Campeão Paulista e Brasileiro foi tudo muito rápido. Tão rápido que em 19 de agosto de 1977 venceria o argentino Félix Gonzalez em São Paulo, tornando-se Campeão Sul-americano. Dois meses depois, classificando-se em 6º do ranking do Conselho Mundial de Boxe desafiaria o Campeão Mundial, o mexicano Carlos Zarate para disputa do título de Peso Galo no “Fabuloso” Forum, em Inglewood, Califórnia. 


                                    O ANÚNCIO DA GRANDE LUTA.                               


O TÃO ESPERADO MOMENTO CONTRA ZARATE.


Kaled Curi seu técnico, acompanhava e confiava em Danilo que estava preparado para essa luta. Como ele mesmo afirmara “... não tenho nada a perder, o mexicano deve ser bom, mas não é melhor que eu duas, três vezes. Sendo assim, dá para encarar”. 

 
O CAMPEÃO MEXICANO CARLOS ZARATE


Entretanto, suas maiores lutas, seriam contra a balança em busca do peso ideal, pela falta de experiência internacional e diante de 14.094 espectadores torcendo contra. Danilo foi mais que um bravo ao impor-se do 1º ao 5º assalto de maneira destemida e com muita técnica, atacando Zarate várias vezes, levando-o à corda. Tinha a certeza de aquela luta seria a grande chance de ganhar o título mundial, entretanto, no 6º assalto a 1.33’ caiu castigado por três golpes consecutivos de Zarate. Levantando-se ao contar do juiz, este dá por encerrada a luta com vitória do mexicano. Continuou sua vida de boxeador até 1995, quando abandonaria as luvas. 


 A FATÍDICA E INESPERADA QUEDA

Faleceu em outubro de 2009, aos 57 anos. Nosso respeito e nossa gratidão por tudo que representou para nossa cidade, principalmente quando dizia "... Todo mundo pensa que sou nortista, mas sou natural de Taubaté com muito orgulho...". Descansa em paz, Grande Campeão!



PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
cfgilberto@yahoo.com.br

JOSÉ LUIZ DOS SANTOS - (70)








VELHICE, UM ATRIBUTO DA GLÓRIA.



Há uma máxima que diz que o destino dos homens depende, efetivamente, menos deles mesmos do que do círculo em que surgem e se manifestam. Dessa forma, nesta edição, abordo sobre José Luiz dos Santos, natural de São Luiz do Paraitinga, neste Estado, tendo nascido aos 30 de Janeiro de 1927 e filho de lavradores naquele município. Não foi uma pessoa letrada, muito pelo contrário, sua infância foi toda ela voltada para o trabalho, para a difícil conclusão dos estudos primários, e a enfrentar, aos 14 anos de idade, a orfandade em razão do falecimento de sua mãe. No distante ano de 1945 e em plena 2ª Guerra Mundial muda-se para Taubaté, onde tem início seus grandes feitos. Eles estão registrados nos arquivos do progresso histórico de nossa região e de nosso Brasil, quando, como simples operário ajudou a construir a primeira pista da Rodovia Presidente Dutra, inaugurada em 19 de janeiro de 1951.
 
PLACA ALUSIVA À INAUGURAÇÃO DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA

 
Finda a primeira jornada, ingressou na Rede Ferroviária Federal S.A. para a reconstrução da nova malha viária entre São Paulo e Rio de Janeiro, mais precisamente no trecho compreendido entre Taubaté e Pindamonhangaba, com início e construção da famosa “Ponte Seca” na Vila São Geraldo. Como ele mesmo diz, era um trabalho árduo e muito perigoso, tendo certo dia, se acidentado gravemente com a queda de um dormente sobre sua mão direita, causando-lhe séria lesão, e, em consequência desse incidente, um portador de problema físico permanente. 

Tive o prazer em conhecê-lo, no final da década de 50. Pessoa da mais digna retidão, honrado, pai e marido exemplar, constituiu uma família feliz ao lado de numerosa prole de 15 filhos, 28 netos e 12 bisnetos. Seis de seus filhos ficariam para trás pelos desígnios do destino, como nordestinos que abandonam suas terras ante o flagelo da seca. Tempos depois, deixamos de nos comunicar como fazíamos. Era aquele negócio, apareça! Passaram-se os anos, vivenciamos as inevitáveis separações dos nossos filhos para seguirem seus destinos e contemplamos o amanhã como um momento mágico em nossas vidas. 

Assim, o dia do reencontro aconteceu. No sábado de carnaval fui visitá-lo em sua casa na Vila Marli. Reconhecendo-me, recebeu-me com alegria incontida, caminhando a passos lentos e apoiado em sua bengala, alquebrado que estava pelos oitenta e sete anos de lutas, com os cabelos marcados pela neve do tempo e com rugas determinando a longevidade. 

Quanta saudade e quantas palavras que não consegui pronunciar pela emoção ao reencontrá-lo! Em seu olhar cansado e profundo, lembrei-me daquele coração generoso e daquele sorriso sempre sincero. Sua vida constitui, na verdade, uma perfeita e extensa lição de sabedoria e sua velhice é um dos mais altos e nobres atributos da glória. Aquela é o complemento desta. Assim, homens como José Luiz recebem a ancianidade gloriosa como o mais belo prêmio da vida. Muitas felicidades, amigo! Deus o abençoe.


PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
cfgilberto@yahoo.com.br



sábado, 2 de agosto de 2014

CEMITÉRIO DE PISTOIA - (69)






CEMITÉRIO DE PISTOIA.



VIVERAM COM RAZÃO E MORRERAM PELA PÁTRIA.



“Pracinhas da Força Expedicionária Brasileira, vós sois os mais bem-vindos soldados da Terra, pois que sois os nossos soldados. Perdoai não vos terem deixados marchar, em nome da emoção que a vossa volta nos causou. Estais finalmente em casa e isso nos entusiasma, porque voltastes para participar também da grande marcha do Brasil para a democracia. Honra, e mais honra, e muita honra – que a honra é vossa! Honra a vós atacantes de Castelnuovo, Monte Castelo e Montese, que propiciastes a vitória da democracia fora e dentro de nosso país! Honra a vós homens do povo do Brasil que enfrentastes na neve o fogo do ódio inimigo! Honra, e mais honra, e honra ainda! A cidade vos recebe como os mais queridos filhos. Sede bem-vindos,  pois que sois os mais bem-vindos de todos os soldados de todas as Pátrias, filhos deste solo pacífico, que vistes a morte de face, e que retornastes para uma Pátria feita mais consciente. Bem-vindos pracinhas do Brasil”.

Este fora o discurso proferido pelo jovem Vinícius de Moraes quando da volta da Força Expedicionária Brasileira. Entretanto, muitos deles não voltaram! Dia 18 de julho comemoramos 69 anos de seus regressos, mas nossas homenagens serão eternas aos Heróis da 2ª Guerra Mundial e aos que não tiveram a glória maior de receber o abraço de seus familiares como tantos outros que chegaram às lágrimas no Dia do Reencontro ocorrido naquela data em 1945, no Rio de Janeiro. 


RECEPÇÃO À TROPA DA FEB.




 O AGUARDADO MOMENTO DO REENCONTRO.        
                                                                                                                                                          

Dos heróis mortos que permaneceram sepultados no Cemitério de Pistoia, na Itália, 25 deles eram da região do Vale do Paraíba Paulista e dentre estes, 4 eram taubateanos.
Nossas homenagens a todos aqueles que tombaram no cumprimento do dever, como os valeparaibanos, Sargentos Basileo Nogueira da Costa (Paraibuna), Geraldo Berti (Caçapava), Rubens Leite (Taubaté), João Lopes Filho (Cruzeiro), João Soares de Faria (Lorena) José Rodrigues Filho (Cruzeiro), Cabo Eliseu Pinhal, (Natividade da Serra) e Soldados Benedito Eliseu dos Santos (São Luís do Paraitinga), Benedito Patrício (Guaratinguetá), Genésio Valentim Corrêa (Piquete), Geraldo Augusto dos Santos (Caçapava), João Américo da Silva (Jacareí), José Alves de Abreu (Caçapava), José Antônio Moreira (Taubaté), José Fernandes (Pindamonhangaba), José Leite da Silva (São José dos Campos), Antônio Bento de Abreu (São Bento do Sapucaí), José Pires Barbosa Filho (Cruzeiro), José Vicente de Paula (Taubaté), Manoel Francisco Gomes (São José do Barreiro), Roberto Marcondes (Pindamonhangaba), Sebastião Felício (São José do Barreiro), Teodoro Francisco Ribeiro (Taubaté), Vicente Batista (São José dos Campos) e Benedito Alves dos Santos (Caçapava).  Ofertando suas vidas em prol de uma Pátria livre e soberana, deixaram perpetuadas antigas lições que nos quartéis lhes ensinaram: “Morrer pela Pátria não é viver sem razão”.


 
PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR.
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