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CONSIDERAÇÕES: “A intenção pretendida que norteou a criação deste Blog Cultural foi a de resgatar memórias históricas, póstumas ou não, de pessoas ilustres nascidas em Taubaté, ou que por aqui passaram, deixando perpetuados, aspectos significativos de suas vidas”. O Profº Gilberto da Costa Ferreira é graduado pela Universidade de Taubaté/SP com Licenciatura Plena em História. É autor dos livros "A 2ª Guerra Mundial e a Participação da FEB" e "Dois Países e Uma Vida".
quinta-feira, 22 de maio de 2014
JOSÉ DA SILVEIRA - (62)
domingo, 20 de abril de 2014
ENEDINA DA COSTA CARDOSO FERREIRA - (58)
BENFEITORA
UM CORAÇÃO REPLETO DE AMOR.
A crendice popular está intimamente arraigada a todas as culturas,
seja ela ligada à cartomancia, aos horóscopos, às simpatias, às superstições e
tantas outras peculiaridades. Elas fazem parte do intelectual humano, e não
existe um só momento na história do mundo sem a sua inevitável presença. Nesta
crônica, procurarei explanar sobre outra peculiaridade, o papel desempenhado
pelas benzedeiras em nosso país, e, de maneira especial, enaltecer o
trabalho desenvolvido com todo amor e doação pela areiense Enedina da Costa
Cardoso Ferreira. Somos sabedores de que as benzedeiras surgiram no Brasil com
a chegada dos padres Jesuítas no século XVI. Suas participações nos
atendimentos à sociedade colonial da época eram mais presentes e significativas
nas áreas rurais, devido à dificuldade em se conseguir um médico que pudesse
atender aos enfermos. Possuíam fé inabalável e se restringiam às orações, às
ervas medicinais e às simpatias. Por serem muito benevolentes, eram respeitadas
e tratadas como "Sinônimos de fé".
Em Taubaté, outrora, grande produtor cafeeiro e berço do Convênio
de Taubaté, tivemos a figura inesquecível e saudosa de Dona Enedina da Costa
Cardoso Ferreira. Nascera em Areias-SP, no Bairro da Santa Cruz, às 04.00 horas
do dia 06 de dezembro de 1916, sendo filha dos lavradores Joaquim da Costa
Cardoso, nascido aos 14 de junho de 1870 na Freguesia de Moreira, em Portugal e
de Generosa da Costa Cardoso, nascida aos 13 de janeiro de 1879 em Barra
Mansa-RJ. Teve sua infância e adolescência toda ela voltada para a família,
para a religião e para o trabalho árduo na lavoura, juntamente com seus irmãos
Benedicto, Antolina, Albertina, Lydia, Maria, Alzira e Anita. Vivia deles e
para eles. Em razão dos intensos afazeres domésticos e braçais, estudou
com muitas dificuldades, não chegando a concluir o primário. A pequena e
aconchegante Areias, importante cidade paulista do século XX, quando se tornara
grande produtora de café e um dos esteios estratégicos de São Paulo, na
Revolução Constitucionalista de 1932, é o começo de sua linda história. É um
exemplo de vida, uma história de amor e um tesouro de exemplos!
Aos oito anos já apresentava suas mãos calejadas pelo senhor
do tempo, devido ao uso de instrumentos rudimentares e inadequados para sua
tenra idade, e em serviços pesados na ajuda preciosa à sua família. Entretanto,
um fato marcante determinaria toda sua vida. Desde criança sempre voltara seus
olhos e sua consciência para Deus, tornando-se uma religiosa.
Sua generosidade e amabilidade eram a extensão do coração da mulher
conhecida biblicamente por Sunamita.Tempos depois se muda com sua família para
Queluz, aonde vem a conhecer Geraldo Soares Ferreira, seu futuro marido.
Todavia, sua vida de amor ao próximo, à caridade e a ajuda aos mais
necessitados com suas bênçãos, continuariam como uma rotina a ser seguida, com determinação
e fé. Dotada de dons espirituais, sua casa era visitada por muitas famílias,
algumas até de outras cidades, à procura de um bálsamo para seus corações
aflitos. As orações “Pai Nosso”, ”Salve Rainha”, “Ave Maria” e “Creio em Deus
Pai” faziam parte de sua fé inabalável em Jesus Cristo para curar os enfermos,
a conseguir um emprego, a curar um vício, ao ajustamento de um lar, e a tantos
outros pedidos. Os filhos Neusa, Nelson, Célio, Neide e Cleuza viriam a ser os
complementos e a primeira geração daquela família humilde, mas, feliz. Mais
tarde, outra mudança, desta feita para Taubaté, onde a família se estabeleceria
e passaria a viver. Ela, também aposentada, continuava sua vida de batalhadora,
trabalhando na lavoura de batatas, na plantação de hortaliças no quintal de sua
residência, nos deliciosos pirulitos vendidos pelos meninos e ao atendimento de
todos que a procuravam para as soluções dos problemas.
Mas, como eles, os filhos também seguiriam seus destinos,
no caminhar inevitável de suas vidas, casando-se e constituindo suas
famílias, advindo então sua segunda geração, com os netos Eliseu, Elucimara,
Edmilson, Edemir, Ednéia e Edilene, filhos de Neusa; Nilcéia, Naíse, Nádia e
Vaner, filhos de Nelson; Daniela, Rodrigo e Fernanda, filhos de Célio; Gislene,
filha de Neide; e, Gizélia e Aline, filhas de Cleuza. Edilene, filha de Neusa,
falecera ainda precocemente aos três anos de idade. A neta caçula e tão querida
dos avós ficaria para trás na estrada da vida e do destino, como nordestinos,
que, abandonando suas terras ante o flagelo da seca, deixam para trás,
lembranças infindas. Depois, ocorreria a terceira geração com os bisnetos
Liandra e Larissa, filhas de Nilcéia; João Pedro e Mateus, filhos de
Daniela; Gabriel e Isadora, filhos de Rodrigo; Renan e Tatiane, filhos de
Eliseu; Eder, Laiana, Alisson e Elizabete, filhos de Edmilson; Lucas
e Felipe, filhos de Gislene; Silas e Samira, filhos de Ednéia; Carolina,
Adriano e Amanda, filhos de Elucimara; e, Marcela e Vitor, filhos de Naíse.
Entretanto, com a saúde debilitada, dona Enedina não chegaria a conhecer sua
quarta geração, os tataranetos João Pedro e Vinícius, filhos de
Carolina; e, Pedro Henrique, filho de Amanda. Durante toda sua vida representou
a "grande valia" para os humildes e mansos de corações, meditando a
todo instante os mistérios da bondade e do amor, sendo a doação e a dedicação
ao seu semelhante. Fez da caridade o sentido de viver, e nada houve capaz
de afastá-la de sua retidão de vida, tampouco os anos e a doença enfraqueceram-na
na disposição de servir ao seu semelhante. Já alquebrada pela idade,
encontrava-se acamada, devido ter seu estado de saúde se agravado em
decorrência de uma queda acidental que sofrera e a impossibilitara de se
locomover normalmente. Todavia, atendia a todos através de suas orações,
tornando-se um sacerdócio para si até seu último momento de expiração.
Assim, quis Deus chamá-la ao seu encontro no dia 17 de março
de 2003, às 04.15 horas, uma madrugada do crepúsculo do verão brasileiro.
Morreu santamente, como santamente foram seus dias vividos entre nós, com
aquele sorriso alegre, com aquele jeito de ser carinhosa e caridosa para com
todos e com a saudade imorredoura, perpetuada em nossos corações. Seu caixão
estava coberto de flores, as mesmas flores que sempre ofertara às criancinhas
de Jesus Nazareno, a quem tanto amou. Seu sepultamento ocorreu na mesma data,
no Cemitério Municipal de Taubaté, onde se encontra sepultada no Jazigo da
família. Descansa em paz,
Alma Generosa! Até um dia!
PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E
ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
cfgilberto@yahoo.com.br
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
MANOEL FREITAS DA SILVA - (55)
RADIALISTA
A ETERNA
SAUDADE.
Em meados de 1926, desembarcava no Brasil uma família de imigrantes oriunda do Funchal, a capital da Ilha da Madeira e a mais populosa fora do continente português. Os motivos da vinda para nosso país estavam relacionados às sequelas da 1ª Grande Guerra Mundial e à pandemia da Gripe Espanhola que assolaram todo o continente europeu. Assim, João de Freitas da Silva, sua esposa Jesuína de Freitas Miranda e seu filho Manoel Freitas da Silva depararam com momentos de difícil superação. Entretanto, em razão do perfeito entendimento do idioma, dos usos e dos costumes e da hospitalidade do povo brasileiro iniciaram suas vidas na nova pátria.
Foi um sólido e próspero comerciante, constituindo um ramo de negócio, até então, inusitado em Taubaté, uma fábrica de calçados denominada Calçados Mercúrio, situada na Praça Monsenhor Silva Barros, tendo seu filho Manoel, seu ajudante fiel e dedicado. Tempos depois nasceria Edith Freitas Miranda, a caçula daquela família unida e feliz. Seu filho, Manoel Freitas da Silva, nascido no Funchal aos 07 de fevereiro de 1924, uma quinta feira do inverno europeu, tinha dois anos de idade quando da chegada de sua família ao Continente Sul Americano. Aqui viveu toda sua infância na época de uma Taubaté ainda bucólica, mas, importante para a economia nacional. Estudou até o ginasial, o suficiente para torná-lo um competente radialista e comunicador de primeira grandeza. Coincidentemente, com a proximidade de seu nascimento, a chegada do Rádio ao Brasil em 1922, começava a ser desenhada em sua vida.
Na Rádio Difusora de Taubaté, a nossa querida e sempre lembrada AM ZYA-8, Manoel Freitas da Silva tornou-se Silva Neto para diferenciar de outros funcionários “Silvas”, e assim iremos tratá-lo em diante. Iniciando suas atividades no início da década de 40 como funcionário subalterno, em curto espaço de tempo e em razão de sua portentosa voz grave, passou a substituir os locutores quando necessário, sendo comum vê-lo alegre e feliz pelas dependências daquela rádio, quando assim procedia. Silva Neto era a dedicação suprema, a voz eloquente e o amor correspondido pela população de Taubaté. Em toda abertura de programa ou quando se dirigia ao público ouvinte o fazia pronunciando a palavra “meu amigo, minha amiga” como a demonstrar uma proximidade afetiva com seus ouvintes. Em suas transmissões, tinha o hábito de bater com as palmas das mãos aos braços como que “abraçando alguém, saudando-o”. Pai extremoso, marido exemplar, disciplinado e disciplinador, leal para com todos, foi uma pessoa íntegra e honesta, e um amigo sempre presente em todas as circunstâncias da vida.
Marcou época de glórias em sua vida dedicada ao rádio em várias ocasiões, dentre elas ao ter aprovado sob sua responsabilidade, Cid Moreira, como locutor da Rádio Difusora, mais tarde o grande apresentador do Jornal Nacional da TV Globo, bem como quando de seu Programa “Clube do Guri” ter apresentado e ser testemunha do surgimento da Rainha do Rock brasileiro, Celly Campello, a "Namoradinha de Taubaté". Mas, foi em “Notícias do Dia” da sua querida Rádio Difusora e a razão de sua vida, a sua consagração como radialista, onde, por mais de vinte anos adentrou aos lares de todo o Brasil com sua voz inesquecível e um jornalismo sério. Jamais teve o ilusório propósito de figurar na galeria de beneméritos, distanciando-se das bajulações. Silva Neto foi casado com Helena Piccini Freitas da Silva, com quem teve quatro filhos, Sônia, Lúcia, Carmem e João de Freitas da Silva Neto, seus grandes amores.
No dia 19 de maio de 2008, Taubaté foi surpreendida com a notícia de seu falecimento. Seus lábios se emudeceram e sua voz calou-se para sempre, deixando uma lacuna imensa tanto nos meios de comunicação quanto em nossas vidas, e um rastro de saudade, que somente o tempo, esse julgador imperecível, saberá mantê-lo vivo em nossas memórias. Está sepultado no Cemitério da Venerável Ordem Terceira, anexo do Convento de Santa Clara, em Taubaté-SP. Requiescat in pace, Radialista da Saudade!
PROFº
GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR
TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
cfgilberto@yahoo.com.br
cfgilberto@yahoo.com.br
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