quinta-feira, 22 de maio de 2014

JOSÉ DA SILVEIRA - (62)





 
FUTEBOLISTA






UM HOMEM, UM EXEMPLO DE VIDA.


No dia 12 de outubro de 1931, uma segunda feira da primavera brasileira, a pequena localidade de Fama, ainda Distrito de Paraguaçu e localizada no sul do Estado de Minas Gerais, dava as boas vindas ao seu mais novo habitante. Nascia José da Silveira, filho de Bartolomeu da Silveira e de Alzira Bruno da Silveira. Seu pai, um competente alfaiate, de conduta ilibada e pessoa muito querida por todos, era o sustentáculo daquela família. Como fato curioso, por ter seu filho nascido no dia e mês do Descobrimento da América, entendera por bem homenagear essa data histórica atribuindo-lhe o nome de José Américo da Silveira. Entretanto, por um lapso, o nome de registro daquela criança saíra José da Silveira. Como não fora possível registrá-la como era o pretendido, o nome de Américo permaneceu durante sua vida, cognominando-se como Zé Américo. 

Mais tarde sua família mudou-se para a cidade de Lorena, no Vale do Paraíba Paulista. Ali iniciou seus estudos no Grupo Escolar Conde Moreira Lima, encerrando-os após conclusão do 4º ano primário. Zé Américo teve uma infância como todas as crianças de sua época, com muita alegria, com muito respeito para com os mais velhos e, principalmente, com muito amor e carinho de seus pais. Entretanto, o futebol começava a entrar em sua vida e desenhar toda uma trajetória de sucesso futebolístico. Depois da conclusão de seus estudos passou a frequentar o tradicional Colégio São Joaquim, então, importante Órgão de Ensino voltado para as vocações religiosas e particularmente à vida religiosa Salesiana, mas que, ao final da década de 40, reabriria suas atividades voltadas para o aluno comum.

Com essa medida, reabririam também seus portões todas as tardes para o entretenimento desportivo. Eram as famosas "peladas" e Zé Américo, então com pouco mais de quinze anos e não estando matriculado regularmente, ainda assim participava com os alunos, das atividades praticadas. Despertando a atenção dos “olheiros da época”, pouco tempo depois iniciaria suas atividades futebolísticas no Hepacaré de Lorena, defendendo esse clube de 1947 a 1950. Com o Serviço Militar obrigatório apresentou-se no 5º Regimento de Infantaria onde cumpriu com seu dever cívico e patriótico. 

Após, transferiu-se para a Esportiva de Guaratinguetá, lá permanecendo até 1953. Em virtude de ter a “Vermelhinha” como era chamado aquele clube de Guaratinguetá-SP, desistido de disputar o Campeonato Paulista da 2ª Divisão, em 1954, resolveu transferir-se para outra agremiação. No início desse mesmo ano, sua mãe o chamou e lhe disse: “Zé, veio um homem aqui em casa e queria falar com você”. No mesmo dia esse homem reaparecia para falar-lhe. Era Joaquim de Morais Filho, Presidente do Esporte Clube Taubaté e que ao chegar a sua casa lhe disse: “Zé Américo, vim buscar você para jogar no E.C. Taubaté. Vamos embora comigo”. E Zé Américo, naquele preciso instante despedindo-se de sua família, foi para Taubaté, importante centro industrial do Vale do Paraíba Paulista para enfrentar o maior desafio de sua vida: disputar a 2ª Divisão de Profissionais e subir para a Primeira Divisão do Campeonato Paulista de Futebol. E dessa forma, aquele rapaz de caráter introvertido, apresentou-se ao seu novo clube para disputar o Campeonato Paulista de Acesso de 1953, entretanto, não conseguindo o tão almejado acesso. 


 
     SUA GRANDE PAIXÃO


Contou-me Zé Américo que no início de 1954, todo o plantel profissional se reuniu no Campo do Esporte Clube Taubaté, no velho Campo do Bosque, e, na presença daquele mesmo dirigente que outrora fora buscá-lo em Lorena, expôs a todos seus pensamentos, advertindo-os de maneira pouco amistosa e rude: “Ou nós ganhamos esse campeonato e subimos ou então vocês estarão desempregados e no olho da rua”. Não deu outra. Com essa “injeção de ânimo ameaçadora” o Esporte Clube Taubaté se sagraria Campeão Paulista da Divisão de Acesso e disputaria o Campeonato Paulista de 1955 ao lado dos grandes clubes de São Paulo.


 


Em Taubaté, Zé Américo se ambientaria rapidamente, tanto pelo caráter reservado de que sempre fora possuidor, quanto pelo carinho demonstrado pelos torcedores do Alvi Azul. Também em Taubaté viria a constituir sua família em 27 de janeiro de 1955, data em que contrairia matrimônio com Eunice Marcondes, conforme consta de sua Certidão de Casamento sob nº 4826, Folhas 26, Livro B-32, tendo a contraente passado a chamar-se Eunice Marcondes da Silveira. Sua esposa foi uma dedicada funcionária do Hospital Santa Isabel de Taubaté, tendo se aposentado em 1974. Tiveram quatro filhos, Antonio Fernando da Silveira, Gino da Silveira, João Carlos da Silveira e Elaine da Silveira, os quais lhes presentearam com oito lindos netinhos. 



                                                                                                     UM CASAL FELIZ.

Zé Américo defendeu o Esporte Clube Taubaté de 1953 a 1962 vivendo páginas de glórias em sua vida, como ele mesmo se recorda quando do jogo entre E.C. Taubaté e Santos Futebol Clube, realizado no dia 05 de outubro de 1958. Naquela ocasião Aimoré Moreira, técnico do Taubaté, durante a palestra com os jogadores nos vestiários, chamou-o e lhe disse: "...você vai jogar com a camisa 7 e vai marcar Zito, porque a força do Santos está no meio campo". Ao final daquela partida não dera nenhuma chance nem a Zito, bem como fora o autor de dois gols do E.C. Taubaté. Também viveu momentos de tristezas e decepções, como o fatídico rebaixamento em 1962. Depois atuou pelo São Bento de Sorocaba e pelo Barra Mansa do Rio de Janeiro. 


Gardel, Mexicano, Ivan, Henrique, Celso e Martin;
                                                                                                                    Jorge Coutinho, Darci, Zé Américo, Sabará, Miro e Noca.


Posteriormente, transferiu-se para o arqui rival do Burro da Central, o Esporte Clube São José, clube onde fez sua estreia num amistoso contra o Corinthians e que terminaria empatado em 3 a 3. Naquela oportunidade assim constavam os dados da partida:

Data: 21/04/1964 (Feriado Nacional). Local: Estádio Martins Pereira (antigo estádio situado na Rua Antonio Saes). Jogo amistoso de inauguração dos refletores. Renda: Cr$6.250.000,00. Árbitro: Carlos Drumond da Costa. Gols do 1º Tempo: Ferretti (aos 7), Marcos (aos 11), Ferretti (aos 30) e Geraldo (aos 39); Gols do 2º Tempo: Flávio (aos 2) e Ferretti (aos 27).

Esporte Clube São José: Gallo; Adhemar Alves, Alemão e Can Can; Carlinhos e Dias (Zé Américo); Bolacha, Ferretti, Zé Luiz (Adaílson), Marinho e Valdir. Técnico Diede José Gomes Lameiro.

Sport Club Corinthians Paulista: Heitor, Jorge, Daut (Cláudio) e Edson; Dino Sani (Amaro) e Clóvis; Marcos, Rivelino, Flávio, Nei (Bazzani) e Geraldo. Técnico: Oswaldo Brandão.

Em 1965 sagrou-se campeão da 2ª Divisão de Profissionais e com direito de disputar o Campeonato Paulista da Primeira Divisão do mesmo ano, bem como viu nascer dois grandes goleiros do Brasil, Sérgio Valentin o “São Sérgio” e Emerson Leão, atuando ao lado de ambos nos anos de 1965 e 1966. Nesse clube teve a glória de ser considerado o “4 de ouro”, pois, foi o ponto de equilíbrio do time e que garantiria o acesso naquele ano. Depois de encerrada a carreira futebolística, prestou concurso público para o Fórum de Taubaté, sendo aprovado em todos os exames escritos e orais a que foi submetido, entretanto, ficou retido quando dos exames médicos sendo constatado ser possuidor de “pressão alta”. Coisas do destino, pois, atuara como jogador de futebol profissional por vinte anos e nunca sentira nada. 

Porém, aquele velho amigo e antigo dirigente que um dia do início do ano de 1953 lhe abriu as portas para o sucesso, mais uma vez não o deixaria desempregado. Zé Américo passaria a trabalhar no Cartório de Registro Civil de propriedade daquele dirigente por vários anos. Hoje, prestes a completar 82 anos de idade, Zé Américo vive sua vida de maneira tranquila na cidade de Taubaté, onde reside à Rua Falcão Filho nº 29, na Vila Edmundo em Taubaté-SP, bem ao lado do Estádio Joaquim de Morais Filho. Apesar dos problemas clínicos enfrentados por sua esposa Eunice, a qual é portadora do Mal de Alzheimer e do Mal de Parkinson.

Zé Américo é um homem tranquilo e feliz, com um coração do tamanho de sua bondade infinita, respeitador, leal, aquele grande e importante amigo e que dificilmente encontramos nos dias de hoje, palmeirense bem ao estilo do verdão antigo, sempre vivendo rodeado de pessoas queridas, e o mais importante, contando com a ternura de seus familiares e as bênçãos do Todo-poderoso. Seja sempre feliz, Zé Américo. São os desejos de todos aqueles que lhe querem bem.

 
PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.

cfgilberto@yahoo.com.br

 


domingo, 20 de abril de 2014

ENEDINA DA COSTA CARDOSO FERREIRA - (58)




BENFEITORA 





UM CORAÇÃO REPLETO DE AMOR.

 

A crendice popular está intimamente arraigada a todas as culturas, seja ela ligada à cartomancia, aos horóscopos, às simpatias, às superstições e tantas outras peculiaridades. Elas fazem parte do intelectual humano, e não existe um só momento na história do mundo sem a sua inevitável presença. Nesta crônica, procurarei explanar sobre outra peculiaridade, o papel desempenhado pelas benzedeiras em nosso país, e, de maneira especial, enaltecer o trabalho desenvolvido com todo amor e doação pela areiense Enedina da Costa Cardoso Ferreira. Somos sabedores de que as benzedeiras surgiram no Brasil com a chegada dos padres Jesuítas no século XVI. Suas participações nos atendimentos à sociedade colonial da época eram mais presentes e significativas nas áreas rurais, devido à dificuldade em se conseguir um médico que pudesse atender aos enfermos. Possuíam fé inabalável e se restringiam às orações, às ervas medicinais e às simpatias. Por serem muito benevolentes, eram respeitadas e tratadas como "Sinônimos de fé".

Em Taubaté, outrora, grande produtor cafeeiro e berço do Convênio de Taubaté, tivemos a figura inesquecível e saudosa de Dona Enedina da Costa Cardoso Ferreira. Nascera em Areias-SP, no Bairro da Santa Cruz, às 04.00 horas do dia 06 de dezembro de 1916, sendo filha dos lavradores Joaquim da Costa Cardoso, nascido aos 14 de junho de 1870 na Freguesia de Moreira, em Portugal e de Generosa da Costa Cardoso, nascida aos 13 de janeiro de 1879 em Barra Mansa-RJ. Teve sua infância e adolescência toda ela voltada para a família, para a religião e para o trabalho árduo na lavoura, juntamente com seus irmãos Benedicto, Antolina, Albertina, Lydia, Maria, Alzira e Anita. Vivia deles e para eles.  Em razão dos intensos afazeres domésticos e braçais, estudou com muitas dificuldades, não chegando a concluir o primário. A pequena e aconchegante Areias, importante cidade paulista do século XX, quando se tornara grande produtora de café e um dos esteios estratégicos de São Paulo, na Revolução Constitucionalista de 1932, é o começo de sua linda história. É um exemplo de vida, uma história de amor e um tesouro de exemplos! 

Aos oito anos já apresentava suas mãos calejadas pelo senhor do tempo, devido ao uso de instrumentos rudimentares e inadequados para sua tenra idade, e em serviços pesados na ajuda preciosa à sua família. Entretanto, um fato marcante determinaria toda sua vida. Desde criança sempre voltara seus olhos e sua consciência para Deus, tornando-se uma religiosa. Sua generosidade e amabilidade eram a extensão do coração da mulher conhecida biblicamente por Sunamita.Tempos depois se muda com sua família para Queluz, aonde vem a conhecer Geraldo Soares Ferreira, seu futuro marido. Todavia, sua vida de amor ao próximo, à caridade e a ajuda aos mais necessitados com suas bênçãos, continuariam como uma rotina a ser seguida, com determinação e fé. Dotada de dons espirituais, sua casa era visitada por muitas famílias, algumas até de outras cidades, à procura de um bálsamo para seus corações aflitos. As orações “Pai Nosso”, ”Salve Rainha”, “Ave Maria” e “Creio em Deus Pai” faziam parte de sua fé inabalável em Jesus Cristo para curar os enfermos, a conseguir um emprego, a curar um vício, ao ajustamento de um lar, e a tantos outros pedidos. Os filhos Neusa, Nelson, Célio, Neide e Cleuza viriam a ser os complementos e a primeira geração daquela família humilde, mas, feliz. Mais tarde, outra mudança, desta feita para Taubaté, onde a família se estabeleceria e passaria a viver. Ela, também aposentada, continuava sua vida de batalhadora, trabalhando na lavoura de batatas, na plantação de hortaliças no quintal de sua residência, nos deliciosos pirulitos vendidos pelos meninos e ao atendimento de todos que a procuravam para as soluções dos problemas. 

Mas, como eles, os filhos também seguiriam seus destinos, no caminhar inevitável de suas vidas, casando-se e constituindo suas famílias, advindo então sua segunda geração, com os netos Eliseu, Elucimara, Edmilson, Edemir, Ednéia e Edilene, filhos de Neusa; Nilcéia, Naíse, Nádia e Vaner, filhos de Nelson; Daniela, Rodrigo e Fernanda, filhos de Célio; Gislene, filha de Neide; e, Gizélia e Aline, filhas de Cleuza. Edilene, filha de Neusa, falecera ainda precocemente aos três anos de idade. A neta caçula e tão querida dos avós ficaria para trás na estrada da vida e do destino, como nordestinos, que, abandonando suas terras ante o flagelo da seca, deixam para trás, lembranças infindas. Depois, ocorreria a terceira geração com os bisnetos Liandra e Larissa, filhas de Nilcéia; João Pedro e Mateus, filhos de Daniela; Gabriel e Isadora, filhos de Rodrigo; Renan e Tatiane, filhos de Eliseu; Eder, Laiana, Alisson e Elizabete, filhos de Edmilson; Lucas e Felipe, filhos de Gislene; Silas e Samira, filhos de Ednéia; Carolina, Adriano e Amanda, filhos de Elucimara; e, Marcela e Vitor, filhos de Naíse. Entretanto, com a saúde debilitada, dona Enedina não chegaria a conhecer sua quarta geração, os tataranetos  João Pedro e Vinícius, filhos de Carolina; e, Pedro Henrique, filho de Amanda. Durante toda sua vida representou a "grande valia" para os humildes e mansos de corações, meditando a todo instante os mistérios da bondade e do amor, sendo a doação e a dedicação ao seu semelhante. Fez da caridade o sentido de viver, e nada houve capaz de afastá-la de sua retidão de vida, tampouco os anos e a doença enfraqueceram-na na disposição de servir ao seu semelhante. Já alquebrada pela idade, encontrava-se acamada, devido ter seu estado de saúde se agravado em decorrência de uma queda acidental que sofrera e a impossibilitara de se locomover normalmente. Todavia, atendia a todos através de suas orações, tornando-se um sacerdócio para si até seu último momento de expiração. 

Assim, quis Deus chamá-la ao seu encontro no dia 17 de março de 2003, às 04.15 horas, uma madrugada do crepúsculo do verão brasileiro. Morreu santamente, como santamente foram seus dias vividos entre nós, com aquele sorriso alegre, com aquele jeito de ser carinhosa e caridosa para com todos e com a saudade imorredoura, perpetuada em nossos corações. Seu caixão estava coberto de flores, as mesmas flores que sempre ofertara às criancinhas de Jesus Nazareno, a quem tanto amou. Seu sepultamento ocorreu na mesma data, no Cemitério Municipal de Taubaté, onde se encontra sepultada no Jazigo da família. Descansa em paz, Alma Generosa! Até um dia!






PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
cfgilberto@yahoo.com.br

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

MANOEL FREITAS DA SILVA - (55)





RADIALISTA


A ETERNA SAUDADE.


Em meados de 1926, desembarcava no Brasil uma família de imigrantes oriunda do Funchal, a capital da Ilha da Madeira e a mais populosa fora do continente português. Os motivos da vinda para nosso país estavam relacionados às sequelas da 1ª Grande Guerra Mundial e à pandemia da Gripe Espanhola que assolaram todo o continente europeu. Assim, João de Freitas da Silva, sua esposa Jesuína de Freitas Miranda e seu filho Manoel Freitas da Silva depararam com momentos de difícil superação. Entretanto, em razão do perfeito entendimento do idioma, dos usos e dos costumes e da hospitalidade do povo brasileiro iniciaram suas vidas na nova pátria.

Foi um sólido e próspero comerciante, constituindo um ramo de negócio, até então, inusitado em Taubaté, uma fábrica de calçados denominada Calçados Mercúrio, situada na Praça Monsenhor Silva Barros, tendo seu filho Manoel, seu ajudante fiel e dedicado. Tempos depois nasceria Edith Freitas Miranda, a caçula daquela família unida e feliz. Seu filho, Manoel Freitas da Silva, nascido no Funchal aos 07 de fevereiro de 1924, uma quinta feira do inverno europeu, tinha dois anos de idade quando da chegada de sua família ao Continente Sul Americano. Aqui viveu toda sua infância na época de uma Taubaté ainda bucólica, mas, importante para a economia nacional. Estudou até o ginasial, o suficiente para torná-lo um competente radialista e comunicador de primeira grandeza. Coincidentemente, com a proximidade de seu nascimento, a chegada do Rádio ao Brasil em 1922, começava a ser desenhada em sua vida. 


Na Rádio Difusora de Taubaté, a nossa querida e sempre lembrada AM ZYA-8, Manoel Freitas da Silva tornou-se Silva Neto para diferenciar de outros funcionários “Silvas”, e assim iremos tratá-lo em diante. Iniciando suas atividades no início da década de 40 como funcionário subalterno, em curto espaço de tempo e em razão de sua portentosa voz grave, passou a substituir os locutores quando necessário, sendo comum vê-lo alegre e feliz pelas dependências daquela rádio, quando assim procedia. Silva Neto era a dedicação suprema, a voz eloquente e o amor correspondido pela população de Taubaté. Em toda abertura de programa ou quando se dirigia ao público ouvinte o fazia pronunciando a palavra “meu amigo, minha amiga” como a demonstrar uma proximidade afetiva com seus ouvintes. Em suas transmissões, tinha o hábito de bater com as palmas das mãos aos braços como que “abraçando alguém, saudando-o”. Pai extremoso, marido exemplar, disciplinado e disciplinador, leal para com todos, foi uma pessoa íntegra e honesta, e um amigo sempre presente em todas as circunstâncias da vida.


Marcou época de glórias em sua vida dedicada ao rádio em várias ocasiões, dentre elas ao ter aprovado sob sua responsabilidade, Cid Moreira, como locutor da Rádio Difusora, mais tarde o grande apresentador do Jornal Nacional da TV Globo, bem como quando de seu Programa “Clube do Guri” ter apresentado e ser testemunha do surgimento da Rainha do Rock brasileiro, Celly Campello, a "Namoradinha de Taubaté". Mas, foi em “Notícias do Dia” da sua querida Rádio Difusora e a razão de sua vida, a sua consagração como radialista, onde, por mais de vinte anos adentrou aos lares de todo o Brasil com sua voz inesquecível e um jornalismo sério. Jamais teve o ilusório propósito de figurar na galeria de beneméritos, distanciando-se das bajulações. Silva Neto foi casado com Helena Piccini Freitas da Silva, com quem teve quatro filhos, Sônia, Lúcia, Carmem e João de Freitas da Silva Neto, seus grandes amores. 


No dia 19 de maio de 2008, Taubaté foi surpreendida com a notícia de seu falecimento. Seus lábios se emudeceram e sua voz calou-se para sempre, deixando uma lacuna imensa tanto nos meios de comunicação quanto em nossas vidas, e um rastro de saudade, que somente o tempo, esse julgador imperecível, saberá mantê-lo vivo em nossas memórias. Está sepultado no Cemitério da Venerável Ordem Terceira, anexo do Convento de Santa Clara, em Taubaté-SP. Requiescat in pace, Radialista da Saudade!






PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
cfgilberto@yahoo.com.br