sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

ANTONIO CARLOS ARGOLLO DE ANDRADE (57)













UM IMPORTANTE HISTORIÓGRAFO



Tão importante quanto o descobrimento do planeta Urano por Willian Herschel em 13 de março de 1781, Taubaté festejava o nascimento de Antonio Carlos de Argôllo Andrade às 03h45m do dia 13 de março de 1958, uma quinta feira do crepúsculo do verão brasileiro dando as boas vindas ao mais novo de seus taubateanos. Filho de Antonio de Argôllo Andrade, um competente e dedicado funcionário do DAEE, em Taubaté, e de Maria Celeste de Andrade, nascia assim, aquele que seria considerado anos mais tarde um dos mais influentes e legítimos historiógrafos de nossa cultura. Sua infância transcorreria dentro dos padrões exigidos daquela época, com muito amor e carinho de seus pais, aliados a uma educação voltada para a constância do conhecimento da religião, do respeito pela vida e pelo seu semelhante. Em suma, foi uma infância vivida em uma Taubaté bucólica e despertando para o progresso industrial.

Seus estudos tiveram início no Colégio Padre Anchieta, quando foi alfabetizado pela Profª Maria de Lourdes Mascarenhas. Prosseguindo em sua jornada estudantil foi aluno do Grupo Escolar Dom Pereira de Barros, onde cursou o Primário. Depois, pelo Ginásio Municipal Profº José Ezequiel de Souza, onde concluiu o Ginasial, e, por fim, nos Colégios Padre Anchieta e Monteiro Lobato, quando então finalizou seus estudos em 1976. Em todas as etapas de sua vida como estudante foi um aluno aplicadíssimo e um estudioso sempre voltado para a área de Ciências Humanas. Em sua cidade natal e nesse mesmo ano frequentou o Curso Livre da Escola de Música, Artes Plásticas e Cênicas Maestro Fêgo Camargo, onde teve o privilégio e a grande honra de ser aluno do Curso de Pintura com o renomado pintor Anderson Fabiano, considerado um dos expoentes artísticos de nosso país. Ainda nesse mesmo ano também viria a concluir o Curso de Cultura Egípcia, coordenado pelo Departamento Municipal de Educação e Cultura da Prefeitura local e ministrado pelo emérito Profº José Jerônymo de Souza Filho, de saudosa memória. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade de Taubaté no ano de 1980. Dedicou-se aos estudos dos idiomas Inglês e Francês, ministrados pela Escola  Fisk entre os anos de 1977 e 1980, e, ao estudo do idioma italiano no período de 1981 a 1990, pela Escola Yázigi.

Tal como seu pai, exerceu, de maneira brilhante e eficiente, atividades laboriosas quando de sua estada na Empresa Brasileira de Aeronáutica, a nossa sempre pujante e dinâmica EMBRAER, ocasião em que exerceu diversas funções administrativas de destaques. Entretanto, sua vida estaria definitivamente voltada para os estudos, quando em 1989 após quatro anos ininterruptos, viria a se diplomar pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de Taubaté, obtendo dessa forma, a Licenciatura Plena em História. Tempos mais tarde, concluiria de maneira brilhante, sua pós-graduação em História da Arte, ministrado pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Em 1990 lecionou história no Instituto Diocesano de Ensino Santo Antonio, o nosso sempre querido IDESA. Em 1992, ingressou como Professor Colaborador Assistente, na disciplina Cultura Brasileira, tendo lecionado nos cursos de Letras e Secretário Executivo. Posteriormente lecionou também História Econômica no curso de Economia, permanecendo nessas atividades até dezembro de 2000. Ainda como professor lecionou na Rede Municipal de Ensino nas escolas de Ensino Fundamental “Dom José Antonio do Couto” e “Ernani de Barros Morgado”, ambas em Taubaté.

Aprovado em concurso público de Provas e Títulos em abril de 1992 e realizado pela Prefeitura Municipal de Taubaté, tomou posse a 4 de agosto do mesmo ano, passando a ocupar o cargo de Historiógrafo, lotado na Divisão de Museus, Patrimônio e Arquivo Histórico de Taubaté. Como partícipe de nossa cultura raiz, exerceu, de maneira laboriosa, eficaz e voluntária, estágio no Museu de Arte Sacra de Taubaté, tendo na ocasião organizada a “1ª Exposição Anual de Presépios Artesanais” daquela Divisão. Teve o discernimento de presentear Taubaté, sua cidade natal, com a exposição itinerante “Arte no Brasil”, em cinco módulos sequenciais, os quais foram apresentados na Divisão de Museus.

Escritor metódico e meticuloso como todos os historiógrafos, via de regra, o Profº Antonio Carlos, como é carinhosamente tratado por todos, especializou-se na divulgação de fatos históricos de fácil interpretação, contrapondo-lhes a luz da verdade para a compreensão do fato histórico. São de sua autoria obras consideradas, e assim as defino, como riquezas metodológicas, podendo citar “Capela de Nossa Senhora do Pilar de Taubaté, Um Exemplar do Barroco Mineiro no Vale do Paraíba Paulista”, publicação de 1991 pela Fundação Nacional do Tropeirismo, na série Cadernos Culturais do Vale do Paraíba, com patrocínio do Colégio Objetivo e Prefeitura Municipal de Taubaté; “Taubaté Através de Textos” lançamento em parceria com a renomada Profª Maria Morgado de Abreu. Trata-se de uma publicação da Coletânea Taubateana nº 17 e periódico da Prefeitura Municipal de Taubaté; Também teve seu trabalho intitulado “Influenciação Cultural Portuguesa no Vale do Paraíba do Sul”, selecionado pela Comissão Organizadora do Congresso Luso-Brasileiro “Portugal-Brasil: Memórias e Imaginários”, para ser apresentado durante aquele evento, realizado em Lisboa, entre 9 e 12 de novembro de 1996. Foi um trabalho dignamente apresentado, diga-se de passagem, altamente comprometido com a verdade histórica, e por abranger de maneira objetiva os contatos estabelecidos entre ameríndios e os primeiros povoadores de nossa região. 

De 1997 a 2003, como colaborador e abnegado historiógrafo, foi colunista do Jornal Diário de Taubaté, através de sua Coluna “Poeira do Tempo”, uma publicação semanal expondo a história da cultura de Taubaté e Região. Em 1988 tornou-se sócio efetivo do IEV (Instituto de Estudos Valeparaibanos) cujo Boletim Informativo Mensal colaborou periodicamente, com textos de sua autoria também descrevendo sobre a História e a Cultura de Taubaté e Região. Em 2000, a pedido da Comissão Organizadora da Academia Taubateana de Letras de Taubaté, preparou o levantamento biográfico dos 40 patronos das cadeiras da mesma academia e, tendo sido convocado a ocupar uma delas, escolheu a de n.º 36, cujo patrono é o Dr. Francisco de Paula Toledo, do qual apresentou os traços biográficos no salão nobre da Casa do Advogado, tendo ao final desse mesmo ano se desligado daquela Academia.

Para as comemorações dos 500 Anos de Brasil, estabeleceu contato com o Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, obtendo por empréstimo em comodato, a urna cinerária do inconfidente taubateano Luiz Vaz Vieira de Toledo, filho do fundador da Capela de Nossa Senhora do Pilar, para exposição naquele local, a partir do mês de abril, ocasião em que foi emitido um cartão postal comemorativo, patrocinado pela Prefeitura Municipal de Taubaté. Em 2006, obteve a pedido, transferência para a Divisão de Museus, Patrimônio e Arquivo Histórico de Taubaté, voltando a ocupar seu antigo cargo de Historiógrafo, função que continua desempenhando. Em 2008, apresentou publicação anteriormente editada em 1978, com revisão e atualização de sua autoria intitulada “Cronologia da História de Taubaté”, perfazendo, portanto, 30 anos decorridos de seu lançamento de origem. Trata-se de um trabalho voltado para consulta sobre os acontecimentos registrados no transcorrer da história do Município e verdadeira fonte de conhecimento e saber. 

Atualmente trabalha na digitação dos 10 volumes de Atas da Câmara Municipal de Taubaté, Papéis Expedidos, Papéis Recebidos e Papéis Avulsos da Câmara, relativos ao período de 1780 a 1890 para futura disponibilização aos pesquisadores. Apresentará em breve, três trabalhos de pesquisas históricas desenvolvidas a partir de então, como sendo “Taubaté na História Nacional”, “Taubaté dos Viajantes” e “Capela de Nossa Senhora do Pilar”, esta, com edição revista e atualizada, estando no aguardo de oportunidade propícia para suas publicações. Como professor, tive a grande honra e felicidade de partilhar conhecimentos quando tomamos parte nos idos de 1990, do Corpo Docente do Instituto Diocesano de Ensino Santo Antonio, reconhecido formador de gerações. Durante o sacerdócio da educação, pude perceber seu valor incomensurável como um professor preocupado com os ensinamentos pertinentes de sua matéria, imbuído do mais alto grau de competência, sensato, digno e historiógrafo de escol. “Unusquisque in arte sua sapiens”.




PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
cfgilberto@yahoo.com.br




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