sábado, 29 de novembro de 2014

HUMBERTO DE OLIVEIRA (04)


                                     
                                                   
ESCULTOR



                                             





MÃOS QUE SE ETERNIZAM.


Humberto de Oliveira nasceu em Taubaté-SP aos 17/01/48, sendo filho de Orlando de Oliveira e Maria José de Oliveira. Quando criança iniciou sua vida escolar na bucólica Taubaté dos anos 50, mais precisamente em 1955, no Grupo Escolar Dr. Lopes Chaves e, depois, na sequência curricular de seus estudos, frequentou os bancos escolares dos Colégios Padre Anchieta e Paroquial Nossa Senhora das Graças. Sua infância, como a de toda criança daquela época, transcorreu na mais perfeita harmonia, sem a violência que hoje é peculiar, com muito respeito à vida, com obediência aos pais e com aquela convivência diária que hoje não temos mais. 

Um dia, como era de costume ir à casa de seu Tio Querubim de Oliveira, na Travessa Alicinha em Taubaté, para visitá-lo, lá encontrou seus primos. Com o desenrolar da visita e diante de uma conversa informal, notou que seus primos brincavam de modelar um material argiloso. Instintivamente pegou uma porção e também começou a modelar, tendo ao final esculpido a cabeça de um frade franciscano. Todos ficaram surpresos com a escultura final e logo passaram a incentivá-lo a continuar com seu lado ainda adormecido de escultor. Sem ter nenhuma noção do que representaria aquele princípio de escultura, nascia ali, para o mundo, o mais novo artista e um dos maiores escultores.

Naquele instante, o paulista, o caipira de Taubaté e o internacionalmente conhecido, Humberto de Oliveira, não poderia imaginar que algum tempo depois, faria parte na galeria de escol dos grandes escultores brasileiros. Espiritualista na acepção da palavra, Humberto de Oliveira diz que não segue nenhuma regra imposta, mas, apenas encontra-se presente em todos os segmentos desta vida, em primeiro estágio como gosta de se auto-definir. 

Assim, a ideia de se projetar algo que o consagre, está fora de cogitação, pois, como sempre afirma, “... viver de maneira serena e para o próximo, é o início da corrente para o bem”.  E completa: “... creio que minha espiritualidade está por toda parte, seja na ecologia, no respeito a todas as opiniões, nos estudos filosóficos, na conversa com uma criança, no respeito e na gratidão pelos idosos, na interpretação de que o mal nunca vencerá o bem, na luta pela preservação da natureza, pelo amor e carinho aos animais, e, principalmente, pelas coisas mais simples e elementares da vida”.  

No final da década de 60, como todo jovem sequioso por novas conquistas foi ao Rio de Janeiro com o intuito de prestar concurso para ingresso na Polícia Militar daquele Estado. Aprovado nos exames a que se submeteu, e aguardando ser chamado para tão nobre missão, concomitante, presta também exames para ingresso na Força Pública do Estado de São Paulo, atual Polícia Militar. Obtendo aprovação em ambas  as Corporações, Humberto achou conveniente para si e para sua família, servir no próprio Estado de seu nascimento. 

Dessa maneira, até que fossem concluídos todos os procedimentos e a consequente chamada para iniciar o Curso de Formação de Soldados, continuou com suas atividades voltadas para a escultura durante ainda mais oito longos meses até que fosse incorporado. Ingressando na Força Pública, passa a dedicar-se em sua mais nova atividade como policial militar. Entretanto, algum tempo depois, ao concluir a Escola de Formação de Soldados em São Paulo, é transferido para a região de Bragança Paulista, mais precisamente na hospitaleira e querida cidade de Piracaia, em 1972.

Naquela localidade, continuando em suas horas de folga a se dedicar à arte de esculpir, vem a conhecer José Bonetti, conceituado escultor nacional e que muito o influenciou em suas técnicas e conhecimentos sobre monumentos. Humberto de Oliveira conta que foi muito importante seu relacionamento com aquele conceituadíssimo artista e que a arte sempre esteve presente em sua trajetória de vida. Mas, como sempre diz, “... se considera um Escultor das Estradas”. Em 1977 em razão de sua transferência para Taubaté dá prosseguimento à sua carreira artística, mantendo nessa cidade um relacionamento cultural com o notável pintor taubateano Anderson de Oliveira Fabiano. Tempos depois é indicado pelo mesmo pintor, para modelar o monumento em homenagem ao Padre Pedro Monteiro do Vale, na cidade de São Bento do Sapucaí-SP. 

Também é de sua autoria o busto em homenagem a Plínio Salgado, naquela cidade. E foi justamente com Anderson Fabiano, como era chamado, que Humberto de Oliveira pode desenvolver todo seu lado de artístico de escultor, aliando técnicas, esmero, meticulosidade e a busca da quase perfeição com aquele genial artista. A partir de então tem início as demonstrações de reconhecimento por parte dos críticos de arte e da sociedade como um todo, enaltecendo seu talento e suas obras de maravilhosa grandeza, basicamente retratadas e relacionadas a temas religiosos, caboclos sertanejos e figuras populares. Assim, obras como os bustos dos Professores Alfredo José Balbi e João Guilherme de Oliveira Costa, ambas em bronze e expostas respectivamente na Faculdade de Direito de Taubaté e na Sede da Reitoria da Universidade de Taubaté, a de São Francisco de Assis, em fibra e em tamanho natural, exposta no Horto Municipal de Taubaté, retratam a grandeza de notável artista. E explica como funciona o processo de produção de algumas de suas obras, “... as peças são produzidas no barro, e, em seguida, são tiradas em formas de gesso. Após esse procedimento, é feita a fundição em fibras de vidro ou em bronze”. 

Humberto de Oliveira tem seu envolvimento nos mais diversificados movimentos culturais, como nas apresentações do 1º Salão de Artes Plásticas do SESC, Taubaté-SP, (1970); do 1º Salão de Artes Plásticas do SENAC, Taubaté-SP, (1972); do 6º Salão de Artes Plásticas, Taubaté-SP, (1972); da 1ª Mostra de Artes Plásticas, São José dos Campos-SP, (1978); do 1º Salão de Artes Plásticas, Jacareí-SP (1979); 7º Salão de Artes Plásticas,Taubaté-SP, (1979); do 8º Salão de Artes Plásticas, Taubaté-SP, (1980); do 9º Salão de Artes Plásticas, Taubaté-SP, (1981); do IX Salão de Artes Contemporânea Limeirense, Limeira-SP, (1981); do 1º Salão Regional de Arte Contemporânea, São José dos Campos-SP, (1981); do X Salão de Artes Plásticas, Taubaté-SP, (1982); da Mostra de Presépios Artesanais de São Paulo, São Paulo-SP, (1983); da Loren Vale 83, Lorena-SP, (1983); da Mostra de Arte da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Quartel General, São Paulo-SP, (1987); Semana Cultural do Vale do Paraíba, São José dos Campos-SP, (1983); do 1º Salão de Artes Plásticas de Cruzeiro do Sul, Porto Alegre-RS, (1988); do Salão de Arte Contemporânea, São José do Rio Preto-SP, (1988); do Salão de Artes Plásticas Valeparaibana, Lorena-SP, (1986); do IV Salão de Artes, Campos do Jordão-SP, (1986); da Exposição “Mãos que Esculpem”, Museu de Antropologia, Jacareí-SP, (1986); Exposição Individual, Shopping Colinas, São José dos Campos-SP; Exposição Individual, Câmara Municipal de Taubaté, Taubaté-SP, (2006). Suas premiações foram todas de excelências, como o “Prêmio Prefeitura Municipal de Taubaté”, Taubaté-SP, (1978); “Prêmio Medalha de Bronze”, 1º Salão de Artes”, Jacareí-SP, (1979); “Prêmio Prefeitura Municipal de Taubaté”, Taubaté-SP, (1980); “Prêmio Menção Honrosa”, Salão Regional de Arte Contemporânea”, São José dos Campos-SP, (1981); “Prêmio Menção Honrosa”, IX Salão Limeirense de Arte Contemporânea, Limeira-SP, (1981); “Prêmio Grande Medalha de Prata”, X Salão de Artes Plásticas de Taubaté”, Taubaté-SP, (1982); “Prêmio Medalha de Ouro”, Salão da União dos Artistas Plásticos de São Paulo, São Paulo-SP, (1988).

Em várias cidades, apresenta obras de sua autoria, porém, obteve a consagração como artista de escol, com sua mais importante obra, a imponente figura do escritor Monteiro Lobato e sua principal criação, a boneca Emília, exposta às margens da Rodovia Presidente Eurico Gaspar Dutra, na entrada principal de Taubaté-SP, dando as boas vindas a todos os que visitam a “Capital Nacional da Literatura Infantil”. 

Também se faz representar no exterior, tendo suas obras com colecionadores na Holanda, Suécia, França, EUA, Alemanha, Áustria e Japão. A matriz de seu atellier encontra-se instalada em Taubaté, porém, com o intuito de atender seus clientes e colecionadores, inaugurou na região da Serra da Mantiqueira sua primeira filial, denominada “Atellier Escultor da Montanha”, situada na cidade de Santo Antonio do Pinhal-SP, à Av. Gov. Carvalho Pinto, nº 82, Centro, cidade vizinha de Campos do Jordão, a Suíça Brasileira, como é conhecida. Humberto de Oliveira, mais conhecido como Humberto Escultor, é divulgado através da Rede Facebook e do Compartilhamento de Vídeos do YouTube, onde em ambas, estão expostas as belezas de suas artes. Em todas as apresentações faz questão de afirmar ser um ardoroso taubateano, berço de ilustres e grandes escultores. Parabéns, Humberto de Oliveira, página maravilhosa da cultura de Taubaté.

PROFº GILBERTO DA COSTA FERREIRA - HISTORIADOR, PESQUISADOR E ESCRITOR. COORDENADOR TÉCNICO DO MEMORIAL GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO.
cfgilberto@yahoo.com.br

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